Marta tenta fugir de possíveis confusões
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sábado, 24 de março de 2007
Vera Rosa 
Brasília - Há uma nova Marta Suplicy na Esplanada. A ex-prefeita de São Paulo que assumiu na sexta-feira o Ministério do Turismo não quer comprar briga com ninguém. Ao menos por enquanto. Dona de temperamento explosivo e fama de durona, Marta ficou preocupada com comentários de que iria trombar com a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a dama-de-ferro do governo. Agora, após a imensa pressão do PT para encaixá-la na equipe, quer mostrar que não está no governo para criar caso.
Até de perguntas sobre política ela tem fugido para não passar a impressão de que usará o ministério como trampolim para outras candidaturas. Em conversas reservadas, diz ter aprendido a não cair em ''cascas de banana'' e a evitar intrigas. Parece mesmo outra mulher, mais cautelosa. ''Eu tenho que falar sobre o que me concerne'', alega ela, disciplinada.
Interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam não ter sido apenas o ruidoso protesto do PP que tirou Marta do páreo na disputa petista para ocupar o Ministério das Cidades. Dizem que, além de ter ficado irritado com as cobranças públicas do PT por espaço mais vistoso no governo, Lula não se esforçou para acomodar Marta em Cidades porque ela teria de negociar diretamente com Dilma.
''Eu sei que as duas têm temperamento forte'', argumentou Lula, segundo relato de auxiliares no Planalto. Detalhe: Cidades é o ministério responsável pelas obras de saneamento no País, um dos pontos fortes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), justamente o plano coordenado por Dilma - a gerente do governo.
Embora o projeto de Marta para vitaminar sua pré-candidatura à Prefeitura de São Paulo, em 2008, e o sonho de disputar a sucessão de Lula, em 2010, passem pelo Planalto, ela está convencida de que o PT deu cotoveladas desnecessárias no longo processo da reforma ministerial.
Psicanalista, a ex-prefeita pretende agora recuperar a imagem de ''fazedora'' - como ela mesma definiu - e não alimentar a impressão de que está disposta a ofuscar os principais ministros do governo.
Na sexta-feira, Marta procurou 'lipoaspirar' até mesmo o conteúdo político da declaração de Lula, que, após deixar sua nomeação em banho-maria por mais de um mês, incluiu seu nome no rol dos que pode eleger como herdeiros. ''Quem foi prefeita de São Paulo pode concorrer a qualquer cargo no mundo'', constatou Lula, referindo-se a ela.
''É que ele sabe a dureza que é governar São Paulo, a dificuldade que é trabalhar com pouco recurso e o que enfrentei lá'', ameniza Marta. Para não ''atropelar'' colegas de outras áreas, a ministra também economiza comentários sobre a crise aérea. Críticas, então, nem pensar.
''Acho que o PT está satisfeito com os ministérios que tem'', desconversa. Em todos os encontros com deputados e vereadores de seu grupo, a nova ministra do Turismo pede que eles adotem a lei do silêncio sobre sua possível candidatura, em 2008. Diz que todo cuidado é pouco para evitar frituras antecipadas. A ordem é submergir na política por um tempo. Não vai durar muito.


