Brasília - A senadora Marta Suplicy (PT-SP) deu uma bronca no senador Pedro Taques (PDT-MT) por entender que ele debochava de suas palavras, quando contestava, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto de lei do colega que proíbe visitas íntimas aos presos provisórios e condenados submetidos ao regime disciplinar diferenciado por envolvimento com o crime organizado. É o caso de Fernandinho Beira Mar e do Nem, preso na semana passada.
Marta defendia a posição do governo, contrária à proibição, quando alegou ser falsa a ideia de traficantes receberem ''namoradas loiras'' no presídio. Ao que Taques comentou: ''Nada contra as loiras, por favor''. A senadora, num tom ríspido, rebateu dizendo que ''não é hora de brincadeira, foi muito fora de hora''. E acrescentou: ''Essas bandidas que ficam nos jornais, eu acredito que fazem parte do séquito de grandes traficantes, de coisas do jeito. Agora, não me parece adequado dizer que todo bandido não possa ter uma família constituída, uma mulher que possa visitá-lo''.
A senadora contestou ainda Pedro Taques quanto ao tempo de prisão de integrantes do crime organizado, dizendo que ''pode ser dois a três anos'' e não um ano, como ele havia comentado. ''Não é que vai ficar só um ano. Pode ficar um ano, talvez até a maioria fique'', alegou. Ela pediu aos ''caros colegas que aqui tenham uma sensibilidade sobre a questão'', que votem contra o projeto.
Ainda na comissão, o senador Taques pediu desculpas, dizendo que não costuma ''ser grosso e sem educação'' e que não pretendia brincar com a senadora. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) entendeu que ele não deveria ter se desculpado ''pois foi ela (Marta) quem começou falando das loiras, alegando que não só elas se encontram com os namoradas traficantes nos presídios''.
Senadores da oposição são favoráveis ao projeto, enquanto a maior parte dos aliados do governo endossam a tese do Ministério da Justiça de que a proibição a visitas íntimas é inconstitucional, ainda que para presos de organizações criminosas. Na dúvida, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) pediu vista da matéria.
Na justificativa do projeto, o senador Pedro Taques afirma que a intenção da medida é evitar que companheiras e namoradas recebidas nas visitas íntimas sejam usadas para transmitir instruções aos comparsas que agem fora do presídio. Ele diz ainda que, nos últimos anos, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, notadamente nos presídios federais, comprovam a existência desse tipo de comunicação ''que põe em risco a população em geral''.

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