Marta Suplicy estuda aliança com Quércia
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sábado, 02 de junho de 2001
Conrado Corsalette Agência EstadoDe São Paulo 
A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), busca fechar um acordo com o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) para garantir maioria parlamentar sólida na Câmara. O diálogo entre os partidos gira em torno da participação do PMDB no governo municipal petista, até mesmo com cargos na administração, e de possíveis pactos de não-agressão durante a campanha para as eleições de 2002.
O secretário municipal do Governo, Rui Falcão, é o interlocutor do PT na negociação. Falcão e Quércia iniciaram diálogo no início do ano, fecharam pequenos acordos para a composição da Mesa da Câmara Municipal e voltaram a se falar após a vitória do peemedebista na convenção do partido, no dia 20 de maio.
Caso o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP) vencesse a convenção, o acordo entre PT e PMDB seria inviabilizado, já que Temer se mantém mais próximo dos tucanos, que fazem oposição à prefeita. Assim que saiu vitorioso, Quércia recebeu ligações do secretário de Marta e do líder do governo na Câmara, José Mentor (PT). Foi o sinal de que a negociação estava reaberta. O ex-governador ligou para Falcão na sexta-feira e combinaram encontro ainda nesta semana para discutir os termos do acordo.
Quércia quer voltar a chefiar o Estado. Sem ataques do PT e com possibilidades de uma aliança no segundo turno das eleições, o caminho fica facilitado. Já os petistas poderão contar, numa possível aliança de segundo turno, com a influência quercista no interior do Estado. Mas, para o PT, o interesse principal está na composição de uma base concreta na Câmara.
O PMDB tem seis vereadores, dos quais apenas três - Myryam Athiê, Antônio Goulart e José Olímpio - têm votado junto com o governo. Milton Leite e Joji Hatto mantêm-se indefinidos quanto a suas posições. Carlos Apolinário, líder do PMDB na Câmara, é um dos maiores opositores de Marta.
Para defender o governo Marta, eu tenho de ter dados e informações sobre suas medidas, além das justificativas, afirma Apolinário. Mas o PT é arrogante. Como alguém pode defender um governo que não o respeita? Na oposição, ele tem mais poder de fogo para lançar sua candidatura a deputado federal. Quércia terá trabalho em convencê-lo.
Mesmo sem fechar questão, Apolinário diz que o PMDB está aberto para diálogo e a decisão sobre o acordo depende apenas de Marta. Basta ela conversar e ser ouvida pela bancada. Sobre a obtenção de cargos na administração, ele afirma que se trata de uma consequência. Se o entendimento for feito, receber cargos é automático, diz. Seria muita demagogia de minha parte dizer que não haverá cargos, mas eles são consequência do acordo.


