A prefeita eleita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), afirmou ontem que pretende fazer um governo de amplitude, mas não de coalizão. ‘‘Vou compor um secretariado amplo, mas sem toma lá, dá cᒒ, disse. A afirmação foi feita na sede do Diretório Nacional do PT, na região central da capital paulista.
A prefeita eleita afirmou ainda que a vitória do PT em 187 municípios não significou apenas o voto de protesto do eleitorado contra a corrupção. ‘‘Foi também o voto das pessoas que têm vontade de renovação’’, disse. Ela completou: ‘‘Em São Paulo, a vitória teve uma característica especial, da batalha contra o preconceito e a discriminação.’’ Ela destacou que, nas últimas quatro eleições municipais em São Paulo, os prefeitos não foram eleitos com tanta vantagem sobre o segundo lugar, como ocorreu agora. Marta foi eleita com 58,51% dos votos válidos. O candidato derrotado Paulo Maluf (PPB) teve 41,49% dos votos válidos.
‘‘Saímos do território enchente/córrego e discutimos também as questões da alma e da felicidade’’, disse Marta, em referência aos temas discutidos durante a campanha. Para Marta, a vitória do PT foi ‘‘das forças que querem um novo mundo não só para São Paulo, mas para o Brasil’’.
Marta disse que uma das prioridades da administração, no que se refere ao combate às enchentes, será investir na Bacia do Pirajuçara. A curto prazo, ela também disse que investirá para o melhor funcionamento da Defesa Civil. ‘‘Ninguém espera que uma prefeita que assuma em 1º de janeiro seja responsabilizada por problemas de décadas, mas vamos agir o mais rápido possível’’, destacou a petista.
Sobre a relação com o partido, Marta disse: ‘‘Quando você é eleita, é por um programa e por um partido. Portanto, tudo será conversado e consultado com o PT, mas sempre com a assinatura da prefeita.’’
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a vitória do partido como extraordinária em todo o País, mas destacou a conquista das prefeituras em São Paulo e Campinas, no interior do Estado. Lula elogiou as atitudes de Marta e classificou-a como ‘‘guerreira e mulher fantástica’’.
O presidente de honra do PT disse que Marta enfrentou em São Paulo ‘‘um troglodita e não um adversário’’, em referência a Maluf. ‘‘Na sexta-feira, quando assisti ao debate na Rede Globo, via um troglodita babando em cima de você (Marta) e via a hora de você levantar e dar uma muqueta nele (Maluf)’’, afirmou Lula.
Para o presidente de honra do PT, o partido ganhou mesmo onde perdeu as eleições. ‘‘Nunca se viu antes uma campanha tão anti-petista como esta. Mas foi uma vitória da verdade contra a mentira, da democracia contra o autoritarismo, o preconceito e o arbítrio. Isso faz com que a vitória seja mais saborosa’’, completou Lula.
Participaram também da entrevista coletiva, o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), o líder do PT na Câmara dos Deputados, Aloízio Mercadante (SP), os deputados federais José Genoíno (PT-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Ricardo Berzoini (PT-SP). Também estiveram presentes os prefeitos eleitos de Campinas, Antonio da Costa Santos (PT), mais conhecido como ‘‘Toninho’’, de Guarulhos, na Grande São Paulo, Elói Pietá (PT), e de Diadema, no Grande ABC (SP), José de Filippi Júnior (PT).

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