A base governista do PT na Câmara de São Paulo tentará mudar, por meio de projeto de emenda, o Regimento Interno da Casa para que, no lugar de cinco comissões parlamentares de inquérito (CPIs), seis possam funcionar, simultaneamente. A sexta CPI investigaria todos os contratos de coleta e varrição de lixo na cidade firmados desde 1998.
Ontem, a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), criticou o presidente Fernando Henrique Cardoso e, num ataque ao PSDB, assinou documento pedindo abertura de três CPIs. Além da comissão do lixo, o documento, intitulado ‘‘Quem Não Deve, Não Teme – Apuração Jᒒ, pede que seja aberta outra CPI na Assembléia Legislativa para que sejam investigadas irregularidades na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). A última propõe à Câmara dos Deputados e ao Senado a instalação de uma CPI para investigar corrupção, que o governo federal tenta evitar.
‘‘Fiquei indignada com a fala do presidente Fernando Henrique ontem (anteontem) à noite, comparando a situação de São Paulo e dessa questão da CPI do Lixo, de que sou favorável, com a situação da corrupção que impera no Congresso Nacional e à qual ele se opõe’’, criticou a prefeita.
Marta toma a medida no mesmo dia em que passou a vigorar o aumento da tarifa de ônibus, o que provocou protestos por todo o dia em frente do Palácio das Indústrias. Segundo o líder do governo na Câmara Municipal, José Mentor (PT), o abaixo-assinado não é uma manobra para desviar a atenção. ‘‘De forma alguma. A prefeita apóia a CPI do Lixo há algum tempo’’, justificou.

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