A ‘‘ponte aérea’’ do PT está passando por turbulências. Para evitar mais atritos, a cúpula do partido, auxiliada pelo marqueteiro Duda Mendonça, decidiu criar uma força-tarefa com o objetivo de socorrer a Prefeitura de São Paulo e o governo do Rio. Ambas as administrações deveriam ser vitrines, mas têm dado dor de cabeça. Pior: a última pesquisa encomendada pelo PT, em abril, indicou que a má-avaliação da prefeita Marta Suplicy já respinga em Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência, e no deputado José Genoíno (SP), que vai concorrer ao governo paulista.
Em relatório reservado, um cientista político que analisou a pesquisa chegou a desaconselhar a vinculação de Lula e Genoíno com Marta, ao menos por enquanto. O senador Eduardo Suplicy (SP), ao contrário, é tido como grande cabo eleitoral por 55% dos entrevistados. Munido destas informações, o QG petista escalou Suplicy para comerciais na TV e interferiu na comunicação de seus principais governos.
Documento interno do PT mostra que Lula tem seu pior desempenho no Sudeste, especialmente em municípios grandes, com mais de 150 mil eleitores. ‘‘Seria o indicativo de uma desaprovação relativa aos nossos governos nas grandes cidades’’, questiona o documento. ‘‘Assumimos governos de municípios com dificuldades financeiras e só governamos um ano e meio, mas o cidadão em geral não entende estas condicionantes.’’
O texto faz uma recomendação: ‘‘Talvez seja necessária ação específica nestes grandes municípios, divulgando as realizações, de forma a recuperarmos nossa vantagem comparativa nos grandes centros.’’
A ‘‘ação específica’’ a que se refere o relatório está em andamento. Tanto que a Prefeitura paulistana e o governo do Rio já têm um link com o comitê eletrônico comandado por Duda. Além da campanha de Lula e de Genoíno, o publicitário também assina o marketing da governadora do Rio, Benedita da Silva, candidata à reeleição.
No governo há quase dois meses, ela substituiu o presidenciável Anthony Garotinho (PSB) em meio a uma onda de violência urbana. Teve de admitir que o Estado, sozinho, é incompetente para solucionar o problema da segurança. Depois de muitas idas e vindas e reuniões com a cúpula do PT, ela acabou fazendo parceria com o governo federal e as prefeituras para combater o crime organizado.
Na Secretaria de Comunicação paulistana, foi necessário trocar o titular. A avaliação corrente no PT é de que a Prefeitura, até agora, perdeu o debate com a sociedade no que diz respeito à sua imagem.
Veterano nas equipes das três últimas campanhas de Lula, o jornalista José Américo Dias foi o nome escolhido a dedo para substituir Valdemir Garreta na Comunicação. Do grupo do secretário de Governo, Rui Falcão, Garreta foi transferido para a Secretaria do Abastecimento.
Descontentes com a linha política adotada até então, dirigentes ligados à Articulação/Unidade na Luta - corrente de Lula - argumentam que as mudanças ocorridas há duas semanas permitiram o ‘‘reequilíbrio de forças no governo’’. Da ala moderada, José Américo é ligado ao núcleo do poder petista. Foi uma indicação da própria Marta e de Luis Favre, de quem o jornalista é amigo.
Ele já se reuniu com Mendonça para que o marqueteiro conhecesse os projetos da Prefeitura. Dias promete se valer da experiência eleitoral para ‘‘defender o governo de factóides criados pelos adversários’’ em época de campanha. ‘‘Nossa linha de comunicação não trabalha em função do calendário eleitoral.’’
‘‘O PT tem de ser franco: a ordem é não esconder as dificuldades das administrações, mas mostrar o que está sendo feito e muita gente não sabe’’, diz Genoíno. O deputado admite problemas. ‘‘Nós ainda temos de aprender a nos comunicar com a população’’, resume. O vereador Carlos Neder confirma que ‘‘há uma preocupação de todo o PT em reforçar os aspectos positivos da administração’’. O presidente da Câmara Municipal, José Eduardo Martins Cardozo, vai mais longe. ‘‘O sucesso de nossos governos é decisivo para a vitória nas próximas eleições.’’

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