Marta acredita em frente anti-Maluf
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segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Das agências 
A candidata do PT ao governo do Estado, Marta Suplicy, reafirmou no final da manhã de ontem, em São Paulo, a sua confiança de que vai para o segundo turno, com Paulo Maluf (PPB). Independentemente do resultado, Marta acredita que haverá uma frente anti-Maluf no segundo turno, ou seja, uma aliança entre os adversários do candidato.
Marta não quis dar mais detalhes sobre essas alianças, afirmando que prefere fazer comentários quando houver uma maior definição na apuração dos votos. Disse que vê qualidades no atual governador, Mário Covas (PSDB), e que está satisfeita pelo fato de os dois estarem disputando, palmo a palmo, uma vaga nessa próxima fase das eleições. Mas, ressaltou ela, não gostou da campanha de Covas pelo voto útil, ou seja, o voto no candidato tucano como possibilidade de derrotar Maluf.
A candidata petista disse também que a sua candidatura foi prejudicada pelas pesquisas eleitorais realizadas antes das eleições. Até um dia antes da eleição, Marta tinha apenas 14% da preferência do eleitorado e não tinha chances de disputar o segundo turno. Seria o caso de os institutos de pesquisa reestruturarem suas metodologias. Nas ruas, eu não sentia que estava tão atrás como indicavam essas pesquisas, afirmou. Marta disse não saber de onde vieram os votos que impulsionaram sua candidatura na última hora, mas destacou as regiões do Grande ABC, Campinas, Ribeirão Preto e São Carlos.
A candidata não acredita que o presidente Fernando Henrique faça alguma manifestação de apoio a Paulo Maluf nesse segundo turno, pois seria a sua desmoralização e a sua base de aliados não aprovaria a idéia. Tenho certeza que Fernando Henrique prefere uma adversária confiável do que um aliado que vai lhe passar a rasteira, disse.
Distrito FederalO governador Cristóvam Buarque (PT) e o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB) vão disputar o segundo turno no Distrito Federal no dia 25 de outubro. Encerrada a totalização dos votos às 3h28 de ontem, o candidato do PT chegou na frente com 426.312, ou 42,67% dos votos válidos, contra 391.906 votos (39,23%) do peemedebista. O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB), ficou em terceiro lugar com 178.212 votos (17,84% dos votos válidos). A abstenção na capital federal totalizou 196.417 votos, ou 15,49% dos 1.267.925 eleitores. Brancos e nulos somaram 71.233 votos, ou 6,75% dos eleitores.
A vitória de Buarque contradiz todos os institutos de pesquisa, que apontavam Roriz como vencedor. Segundo a pesquisa de boca-de-urna do Ibope, o ex-governador teria 43% dos votos, contra 39% do atual governador. Arruda (PSDB) teve 17% na pesquisa. A eleição na capital federal deve ser definida pelos eleitores de Arruda, mas o atual líder do governo no Senado já avisou que não pretende dar apoio aos seus adversários.
A eleição no Distrito Federal foi marcada por um reviravolta de Cristóvam Buarque na reta final. Na pesquisa do Ibope, realizada entre os dias 21 e 24 de setembro, Roriz tinha uma vantagem de mais de 11 pontos percentuais sobre o petista. Nas vésperas da eleição, a diferença já tinha caído para três pontos percentuais. Se for reeleito dia 25, o governador poderá se credenciar a ser o candidato do PT à presidência em 2002.
Acre Manter intactos os princípios do partido, mas ser mais flexível na hora de formar alianças. Essa é a receita do governador eleito do Acre, Jorge Viana (PT), 39, para explicar como conseguiu ser o primeiro governador da história do PT eleito no primeiro turno. Mais significativo ainda que a quebra do tabu foi o fato de Viana ter conseguido tirar o governo do Acre das mãos do PMDB e do PFL, que desde 82 se revezavam no cargo.


