Com seis meses de atraso em relação à data inicial, a perícia judicial sobre as causas do desabamento da marquise do anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Estadual de Londrina (Cesa/UEL) deve começar no dia 3 de outubro. A tragédia, ocorrida em 11 de fevereiro, durante a realização do XXVI Congresso Brasileiro de Zoologia, deixou o trágico saldo de dois estudantes mortos e mais de 22 feridos.
O Instituto de Criminalística (IC) e a própria universidade, por meio de uma sindicância interna, já produziram dois laudos sobre o rompimento da viga de sustentação e a queda da laje. A nova perícia foi determinada pelo juiz da 3 Vara Cível, Rafael Vieira de Vasconcellos Pedroso, que acolheu 'Ação de Produção Antecipada de Provas' pleiteada pela empresa Mercosul, de Toledo (região oeste), responsável pela construção do anfiteatro.
O proprietário da Mercosul, Waldmir Refosco, disse à Folha que fez o pedido de perícia judicial visando a produção de um laudo ''independente''. ''Naquela época (fevereiro) já estavam em curso as investigações da comissão de sindicância da UEL e da polícia, e começaram a circular notícias de que a empresa era culpada pela tragédia. Como temos consciência da seriedade do nosso trabalho, resolvemos pedir à Justiça a realização de uma perícia totalmente isenta''.
O início da investigação, marcada pelo juiz para 3 de abril, com prazo de 30 dias para conclusão, foi postergado inúmeras vezes em razão da dificuldade em localizar os peritos cadastrados na Justiça e pelo debate técnico sobre eventual perda de prazo pela UEL para indicar um representante na perícia e acrescentar itens a serem esclarecidos no laudo.
Ao final de dezenas de páginas de processo, e vários meses de vida real, chegou-se ao nome do perito Paulo Fernando Mesquieri - e a UEL teve acatados seus pleitos.
O proprietário da Mercosul, Wladmir Refosco, criticou a demora para o início dos trabalhos e afirmou que a tragédia teve origem em ''falhas no projeto e de manutenção'' do prédio. ''Na nossa visão, a viga de sustentação deveria ter pelo menos o dobro de altura, e a ferragem teria que ter o dobro de espessura.'' Refosco também cobrou que a UEL apresente à Justiça cópia do relatório diário de acompanhamento da construção, elaborado por um engenheiro da instituição. ''Se houvesse algum erro da nossa parte, teria que ser acusado pelo engenheiro e ele nunca fez qualquer menção neste sentido.''
A sindicância interna da UEL apresentou seu relatório em 15 de março apontando ''falhas graves no projeto e execução da obra''.''Não houve acúmulo de água (em cima da laje), a estrutura já estava fragilizada'', declarou o presidente da comissão, Vitor Faustino Pereira.
Em 7 de abril, o Instituto de Criminalística, apontou que, além dos problemas ''de projeto e execução'', também houve ''falhas na manutenção''. ''A manutenção adequada teria evitado a queda naquele momento'', concluiu o perito Luis Noboru.
O juiz Rafael Pedroso declarou à Folha que a após a elaboração da perícia a ação será encerrada . ''Não há outro pedido a não ser a realização do laudo. As conclusões poderão ser debatidas em outras ações judiciais'', explicou.

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