Marqueteiro e mulher passam por exames no IML
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Das agências 
Curitiba - O marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, passaram por exames na tarde de ontem no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba depois de terem sua prisão decretada na 23ª fase da Operação Lava Jato, intitulada "Acarajé". O casal foi o primeiro a descer de uma van da Polícia Federal, que era escoltada por outro veículo e homens armados. Os dois estavam com as mãos para trás, e Mônica usava óculos escuros. Eles não quiseram falar com a imprensa.
Santana, que trabalhou nas campanhas que levaram Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014) à presidência, é investigado por suspeitas de ter recebido dinheiro irregular da Odebrecht via contas no exterior.
O publicitário e a mulher desembarcaram no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, por volta das 9h25, em um voo da Gol vindo de Punta Cana, na República Dominicana. No país, o casal coordenava a campanha à reeleição do presidente Danilo Medina, do Partido de la Liberación Dominicana (PLD). Ambos vieram acompanhados do advogado de Santana, Fábio Tofic.
Santana, Mônica e o advogado deles seguiram para a delegacia da PF localizada dentro do aeroporto, onde ficaram por cerca de 15 minutos. Segundo o assessor da polícia, Santana conversou com o delegado, deixou alguns pertences com o advogado e seguiu para Curitiba com a mulher em um avião da PF. O advogado foi para a capital paranaense em voo de carreira.
Tofic disse que o marqueteiro do PT tem como comprovar que "não há um centavo" de campanhas eleitorais brasileiras nas contas dele no exterior. "Das nove últimas campanhas que ele fez, seis foram em outros países", afirmou Tofic, ao deixar a superintendência da PF, em Curitiba. "Ele vai dar os esclarecimentos amanhã e então, temos certeza, que esta prisão absurda será revogada", reforçou.
Também passaram por exame no IML na mesma tarde, conduzidos pela PF, Benedito Barbosa da Silva Junior, diretor-presidente da construtora Odebrecht, Vinícius Veiga Borin, sócio de uma consultoria que administra carteira de investimentos, e o empresário Zwi Skornicki, lobista de um estaleiro com contratos com a Petrobras.
Marcelo Odebrecht, presidente afastado da construtora e um dos poucos empresários que ainda permanece preso na Lava Jato, foi transferido anteontem do Complexo Médico Penal (CMP), na Grande Curitiba, para a carceragem da PF na capital paranaense, em decorrência das investigações da 23ª fase da operação.
Na última segunda, por volta das 19 horas, chegaram a Curitiba Borin, Skornick e Silva Junior. Os últimos a desembarcarem no Paraná nesta fase da Lava Jato foram o marqueteiro e a mulher, que voltaram do exterior ontem.
Mônica deve permanecer em cela separada do marido, mas a Polícia Federal informou que não comentaria a distribuição nas celas dos investigados.
Quanto a Silva Junior, a prisão temporária foi decretada porque a PF acredita que há indícios de que ele tinha conhecimento dos esquemas de corrupção na estatal. Expressões e siglas utilizadas pelo executivo em planilhas apreendidas eram semelhantes às empregadas por Marcelo Odebrecht, que, segundo a polícia, indicam o pagamento de propinas.
Em manifestação protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ontem, o PSDB pede que seja acrescentada no processo em que a legenda pede a cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer o compartilhamento das provas da 23ª fase da Lava Jato.


