Brasília - Em meio às incertezas do cenário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza hoje, a partir de 18h, uma festa julina na residência oficial da Granja do Torto. Ele não queria chamar os amigos para comer pipoca e canjica no momento de maior crise do governo, seguindo conselho de pessoas próximas. Mas valeu a insistência da primeira-dama Marisa Letícia, que todos os anos realiza a festa, cumprindo uma promessa a São João, santo popular da Igreja comemorado no dia 24 de junho.
O casal enviou no início da semana convites para ministros, secretários e amigos pessoais. Uma foto de Lula e Marisa vestidos de noivos, tirada na festa do ano passado, estampa o cartão da festa. Os convidados devem ir com traje caipira e levar um prato de doce ou salgado. A primeira-dama argumentou ao marido que a festa tem um caráter ''familiar'' e ''religioso''.
Tanto que está prevista uma procissão com velas e uma missa, como nos anos anteriores. Até 2003, a festa era realizada no sítio do casal, em São Paulo. Lula inclusive carregava o estandarte com a imagem do santo festeiro. Frei Betto, amigo da família, celebrou a missa do ano passado.
Até o início da noite de ontem, pessoas próximas ao presidente ainda tentavam demovê-lo da idéia de realizar um ''arraiá'' no Torto no meio da crise, quando setores sociais pedem esclarecimentos sobre as denúncias de corrupção na máquina pública. Há quem avalie no Planalto, no entanto, que realizar a festa é uma demonstração de que o governo está tranquilo e trabalhando normalmente, segundo os assessores. Tudo o que não ficou explícito nas aparições públicas de Lula ao longo da semana. Nas últimas solenidades, o presidente apareceu visivelmente abatido, constrangido e entediado.
Além disso, muitos convidados ilustres do casal vivem a angústia da reforma ministerial. É o caso do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, que recebeu a recomendação de levar um prato de doce para a festa. Ele estava cotado para trocar de pasta. O ministro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, não vai comparecer.

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