O governador Mário Covas disse ontem que espera apenas o resultado da investigação para processar o autor do suposto dossiê contra políticos tucanos. Reportagens veiculadas no final de semana davam conta de um suposto dossiê denunciando a existência de uma empresa nas Ilhas Cayman. Na conta da empresa, cujos sócios seriam, além de Covas, o presidente Fernando Henrique, o ministro da Saúde, José Serra, e o ex-ministro Sérgio Motta, teria um saldo de US$ 368 milhões. Covas disse ter recebido uma carta por meio de sedex internacional, sem remetente. ‘‘A carta tinha uma porção de coisas que não faziam muito sentido, mas davam a nítida impressão de que alguém estaria escrevendo uma carta em forma cifrada. Não pensei em torná-la pública, porque era uma carta que não dizia nada’’, disse Covas.
Ao contrário do ministro da Saúde, José Serra, Covas afirmou não ter visto nenhum conteúdo de chantagem na carta. Covas disse desconhecer um provável envolvimento do candidato derrotado do PPB, Paulo Maluf, no caso. ‘‘Eu sei que o candidato Paulo Maluf mandou procurar o Lula e a Marta com o objetivo de eles tornarem pública a coisa. Coisa que, aliás, Maluf não tornou pública quando era candidato porque certamente não acreditava muito na história’’, disse Covas. O governador afirmou não ter dado importância para a carta, recebida entre o primeiro e o segundo turno eleitoral. ‘‘Liguei para o Serra porque a cópia que eu recebi dizia que o ministro também estava recebendo outra. Disse para o Serra que não sabia o que era, mas que parecia uma montagem’’, contou Covas.
O governador reassumiu ontem após um afastamento de dois meses, período no qual disputou a reeleição. A primeira atividade de Covas, no final da manhã, foi o encontro com cerca de 120 pessoas, representando movimentos populares e associações de bairro, ligadas à construção de casas em sistema de mutirão.

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