Mário Covas já não descarta demissões
Arquivo FolhaApertoMário Covas: Não é a primeira vez que converso com o presidente FHC sobre as taxas de jurosO governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), ameaçou ontem cortar investimentos caso não haja reversão nos juros e na receita estadual. Covas voltou a reclamar das altas taxas de juros impostas pelo ajuste fiscal do governo federal.
O governador disse que a arrecadação estadual continua despencando. Num cenário mais pessimista, não descarta demissões. Ele afirmou que os efeitos da política de juros altos extrapolam as finanças públicas. A receita pública é uma consequência do estágio da economia, disse, logo após avaliar que, mesmo se os juros voltassem hoje aos níveis de outubro, a receita estadual levaria seis meses para se recuperar. Para ele, os problemas do caixa do Tesouro têm origem na vida econômica do País. O que ocorre na economia aqui em São Paulo, onde se arrecada 47% da receita federal, acaba repercutindo nacionalmente, alertou.
Em relação à possibilidade de a queda na receita prejudicar algumas das realizações da administração, Covas disse que os primeiros cortes serão nos investimentos. Ao comentar a Lei Camata, que obriga os Estados a gastar, a partir de 1999, no máximo 60% da arrecadação na folha de pagamento do funcionalismo, deixou margem para novas demissões.
Não dá para pensar em ter uma lei e não cumpri-la, disse, acrescentando que há áreas nas quais não pode demitir, como educação, saúde e polícia. São Paulo gasta 61,44% da receita com a folha. Segundo Covas, o governo estadual afastou 130 mil funcionários.
Além das preocupações administrativas e econômicas, o governador também está de olho no possível impacto negativo que uma arrecadação menor poderá ter sobre as ambições eleitorais dos tucanos. Na segunda-feira (16), por exemplo, enquanto o governador estava em Brasília para uma conversa com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual o principal tema foi a receita de São Paulo, o PSDB paulista divulgava um manifesto contra a política de juros da equipe econômica.
Na ocasião, dirigentes afirmaram que, enquanto a arrecadação federal vem mostrando fôlego, a situação dos Estados e municípios é cada vez pior. Nesse caso, para alguns tucanos, há riscos de que problemas eleitorais localizados venham a prejudicar o desempenho da legenda nas eleições de outubro, especialmente em São Paulo.
A manifestação do partido não é contra a política de juros, e acho que a linha que o PSDB deve ter seguido é a mesma que eu segui ao mostrar para o presidente a condição de São Paulo, defendeu ontem o governador, ao comentar o encontro com Fernando Henrique, na segunda-feira. Não é a primeira vez que converso com ele sobre isso, mas agora fui levar dados, incluindo alguns já conhecidos, como a taxa de emprego, contou.
Covas mostrou a Fernando Henrique que, descartados os prejuízos com a Lei Kandir, São Paulo deixou de arrecadar R$ 365 milhões entre novembro e janeiro. Em fevereiro, as perdas somam R$ 60 milhões. O Brasil lutou contra a especulação, mas acho que já está na hora de pensar no retorno, ponderou ontem o governador. Não vejo razão para, mesmo na atual circunstância, manter por tanto tempo uma taxa de inflação tão baixa e uma taxa de juro tão alta.





