Brasília - O novo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, tomou posse ontem defendendo a recuperação do valor do salário mínimo. Marinho também se comprometeu a retomar o debate da proposta de reforma sindical no Congresso Nacional. Para uma platéia de ministros e vários sindicalistas, Marinho garantiu que será ''o ministro do governo Lula para encaminhar projetos de governo e compromissos de governo''. Ele se comprometeu a manter no ministério a equipe dos seus antecessores.
Marinho afirmou que pretende trabalhar no governo propostas que sempre defendeu ao longo de sua militância sindical. ''Mas com a compreensão de que o papel é completamente diferente''. Entre elas está a criação de uma política permanente de valorização do salário mínimo, um tema que enfrenta resistências entre a equipe econômica por causa do impacto que o reajuste do mínimo tem sobre as contas da Previdência Social.
Em linhas gerais, o ex-sindicalista defende a adoção de uma política que vincule o crescimento da economia a um reajuste gradual do salário mínimo. Sobre o andamento no Congresso da proposta de reforma sindical, admitiu que antes é preciso criar o ambiente para isso no Legislativo.
Enquanto defendia o projeto de valorização do mínimo como forma de aumentar a distribuição de renda no País, Marinho negou que a idéia contrarie a política econômica do governo. ''E o (ministro da Fazenda) Palocci está aqui e sabe perfeitamente bem que não é assim. Nós teremos, certamente, um trabalho em sintonia para construir um salário mínimo decente'', afirmou o novo ministro, dirigindo-se ao colega da Fazenda que estava na platéia. Em uma reunião tempos atrás, Palocci foi pessoalmente apresentar o sindicalista como ''um amigo'' seu aos jornalistas que aguardavam o final do encontro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu assessores e ministros ao aparecer mancando na posse de Luiz Marinho. A dificuldade de locomoção se deve a uma dor na perna direita em consequência de inflamação no nervo ciático.
Lula brincou em seu discurso dizendo que a dor é um reflexo das comemoração dos gols do Corinthians, que, de virada, venceu o arqui-rival Palmeiras por 3 a 1 no último domingo. ''Eu marquei todos os gols que o Corinthians marcou'', disse o presidente.

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