Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início ontem a mais uma etapa da reforma ministerial. Ele nomeou Luiz Marinho, presidente da CUT, para o Ministério do Trabalho. O cargo era ocupado por Ricardo Berzoini, que deverá retornar como deputado federal para o Congresso. Antes da confirmação, Marinho se reuniu ontem de manhã com Lula na Granja do Torto. Também participaram do encontro o ministro Antonio Palocci (Fazenda), o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, e o governador do Acre, Jorge Viana. A reforma ministerial está apenas começando. Três novos ministros tomaram posse ontem: Hélio Costa (Comunicações), Saraiva Felipe (Saúde) e Silas Rondeau (Minas e Energia).
O restante da reforma ministerial também deve ser feito nos próximos dias. Espera-se que Lula substitua o ministro da Previdência, Romero Jucá (PMDB-RR), que ontem colocou seu cargo à disposição. Para seu lugar estão cotados o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, e o secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal. Outra troca deve ocorrer no Banco Central, com a saída do presidente da instituição, Henrique Meirelles. Nesse caso, o governo alega que Meirelles sairá para concorrer a um cargo eletivo em Goiás. Portugal também é um dos mais fortes candidatos à vaga. O ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) já colocou seu cargo à disposição de Lula. O presidente garantiu ontem que Gushiken fica no governo. ''O companheiro Gushiken continuará dirigindo a Secom. A não ser que não queira'', disse.
''Sou soldado desse projeto. Aceitei a convocatória (do presidente Lula)'', afirmou ontem o novo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, após se reunir com Lula na Granja do Torto. Marinho admitiu que sua indicação tem alguma relação com a crise política que assola o PT, partido de Lula, e o próprio governo federal. ''Assumo com a missão de ajudar o governo a sair dessa crise. O convite foi motivado (por esse cenário). O cenário é que leva a esse convite.''
Segundo ele, Berzoini deverá ser deslocado para o Congresso, onde reforçará a bancada petista na Câmara dos Deputados. ''O presidente reforçará a ação no Congresso mas sem desguarnecer a equipe de governo.''
Marinho já elencou quais serão seus principais projetos à frente do Ministério do Trabalho. Entre eles está a discussão da recomposição do poder de compra do salário mínimo (R$ 300). ''Nós pretendemos ajudar a pensar numa recuperação do salário mínimo que corresponda à expectativa da sociedade'', afirmou. Como presidente da CUT, Marinho passou os últimos anos defendendo a criação de um plano de recuperação do poder de compra do salário mínimo no longo prazo.
Ele disse que sua ida para o governo não mudará seu posicionamento em relação a temas polêmicos, como a necessidade de correção da tabela do Imposto de Renda. ''Agora a gente muda o local da trincheira. Vamos para dentro do governo. Internamente eu debaterei todas as minhas opiniões. Externamente, depende: se o governo tem uma posição, é a posição do governo. Se não tem (uma posição), será a opinião do Marinho.''
O novo ministro espera ter um bom relacionamento com o conjunto das centrais sindicais. ''O ministro tem o papel de se relacionar com o conjunto dos movimentos sindicais.'' Ele não acredita que sua ida para o governo vá enfraquecer a CUT.

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