Maringá e Ponta Grossa terão segundo turno; Guarapuava e Cascavel já decidiram
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domingo, 02 de outubro de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 
Curitiba - A força política da família Barros e do secretário de desenvolvimento urbano, Ratinho Júnior (PSC), foram determinantes nos resultados do primeiro turno das principais cidades paranaenses, bem como nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Esse foi o balanço dos cientistas políticos entrevistados pela FOLHA, que observaram nas mudanças do tempo da campanha eleitoral, bem como no financiamento, acrescidos da conjuntura política-econômica do País, o ambiente favorável para o eleitor do Estado dar vazão a tradição de eleger candidatos vinculados aos clãs que detém o poder historicamente .
Para o cientista política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Leonardo Rocha, a redução do tempo de campanha eleitoral reduziu a oportunidade de se pensar na política. "Infelizmente só se discute política no Brasil no período eleitoral. Com o tempo reduzido de campanha e na TV, muitos se surpreenderam com o dia da votação, o que foi um fator a mais no Paraná para confirmar na urna um voto conservador e provinciano que caracteriza o comportamento do eleitor do Estado, que opta por um voto familiar", aponta. Para Rocha, a Operação Lava-Jato e toda a crise econômica não serviram para a oposição perder força especificamente no Paraná, porque o "PT nunca representou uma grande força política em várias regiões do Estado".
Alinhado ao raciocínio de Rocha, o cientista político da UFPR, Márcio Carlomagno, também atribui essa convergência "a histórica forma familiar de se fazer política no Paraná". Entretanto, o segundo turno em Maringá, na análise do especialista será extremamente acirrado. "Mesmo com todo o protagonismo político dos Barros em franca ascensão, tanto no cenário nacional com o ministro da saúde Ricardo Barros, quanto no Estado com a Cida no cargo de vice-governandora e o bom desempenho de Maria Victória no pleito da capital, a diferença de votos deste primeiro turno e a situação de Sílvio Barros (PP) exigirá um grande esforço no segundo turno para que ele seja eleito", constata. O irmão do ministro da saúde recebeu 39,9% dos votos válidos (77.196 votos) e disputará o segundo turno com Ulisses Maia (PDT), que totalizou 28,87% dos votos válidos (56.156).
Em Foz do Iguaçu, 58.163 eleitores escolheram o candidato impugando Paulo Mac Donald (PDT). Com isso, o candidado Chico Brasileiro (PSD) que recebeu a segunda maior votação, com 54.488 votos, 67,88% dos votos válidos, deve assumir a prefeitura. "O eleior fica perdido em uma situação assim, e o grande problema é governabilidade do candidato eleito", aponta Rocha. "Outro problema da judicialização da política é que em Foz o resultado mesmo será decidido pelo TSE ao julgar o recurso de Mac Donald, que teve a candidatura indeferida por improbidade administrativa", acrescenta Carlomagno. O deputado estadual Leonardo Paranhos (PSC) arrebatou 51,17% dos votos válidos (86.099) e levou a prefeitura de Cascavel no primeiro turno em cima do candidato Márcio Pacheco (PPL), que teve 33,43% dos votos válidos (56.260).
Ponta Grossa também terá segundo turno entre os candidatos Marcelo Rangel (PPS), que teve 47,68% dos votos válidos (84.032), e Aliel Machado (Rede) que reuniu 28,15% dos votos (49.611). "O que chama atenção em Ponta Grossa foi a expressiva votação do deputado federal Aliel, um candidato independente, e que votou contra ao impeachment de Dilma", destaca Carlomagno. Em Guarapuava, o prefeito Cesar Silvestri Filho (PPS) foi eleito com 60,07% dos votos válidos (57.969). O segundo colocado foi o Dr. Antenor (PT) que recebeu 33,93% dos votos (32.740).


