Curitiba – A ex-senadora Marina Silva passou pelo Paraná esta semana para organizar o partido Rede Sustentabilidade para as eleições municipais deste ano. O partido foi criado por ela há três anos, mas homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em outubro do ano passado. Em entrevista coletiva, ontem, pela manhã, em Curitiba, Marina disse que a Rede não tem uma expectativa para o pleito deste ano no sentido de número de vereadores ou prefeitos. "Não estamos fazendo um cálculo eleitoreiro", afirmou, avisando que a Rede pode apoiar candidatos de outros partidos que tenham um programa e uma trajetória compatível. "A Rede é um partido independente. Temos um programa que se sustenta na questão da sustentabilidade. Nós somos sócio-ambientalistas. Eu digo que somos sustentabilistas progressistas", explicou.

Eduardo Reiner, um dos coordenadores estaduais da Rede Sustentabilidade, lembrou que o partido está bem estruturado em cerca de 50 municípios paranaenses e que, por enquanto, o cenário aponta para candidaturas próprias em Curitiba, Ponta Grossa e Maringá. "A Rede fez uma escolha programática", afirmou Marina, comentando que quando o partido foi homologado, os coordenadores conversaram com 29 deputados, mas que apenas cinco foram aprovados por questões de identidade. No Paraná, dois políticos que se filiaram à Rede acompanhavam ontem, a também ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula: o vereador da capital Jorge Bernardi e o deputado federal Aliel Machado, que tem sua base na região de Ponta Grossa.

"A coisa mais importante que temos é a determinação de ter uma plataforma, um programa de governo. E isso que será a base do debate interno para ver se teremos ou não teremos candidatura própria. É isso que será a base do diálogo com os partidos com os quais vamos nos dispor ao diálogo", reforçou. O ponto de saída, segundo Marina, será a elaboração de um projeto para as cidades.

Sobre a situação econômica do País e as denúncias de corrupção que atingem os vários escalões da administração pública, Marina disse que "é uma crise sem precedente" e reforçou a importância de se combater a corrupção.

Sobre o novo partido, ela frisou que não vai "sacralizar" a Rede. "Eu fiquei sacralizando um partido por quase 30 anos da minha vida. Partidos e seres humanos são falhos. A gente tem de ter um esforço e uma vigilância para que pessoas virtuosas criem instituições virtuosas para lhes corrigir quando falharem em suas virtudes", disse.

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