Curitiba - Na sua primeira visita ao Paraná desde que decidiu fundar a Rede Sustentabilidade, Marina Silva disse ontem à imprensa que seu novo partido político "não deve ser confundido com sigla de aluguel". "Nós merecemos respeito. Temos 30 anos de luta socioambiental", afirmou a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, que deixou o PT em 2009.
Filiada ao Partido Verde, Marina Silva foi candidata à presidência da República em 2010, acabando no terceiro lugar, com 19% dos votos válidos. Em Londrina, ela teve mais apoio naquele primeiro turno que a própria presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), obtendo 64 mil votos contra 51 mil da petista. Após essa eleição, Marina se desentendeu com a direção do PV e abandonou o partido já no ano seguinte.
Nos últimos dois anos, ainda que relutante com a alternativa de fundar uma nova sigla, ela se envolveu nas campanhas municipais. Em Londrina, apoiou Cheida (PMDB) para a prefeitura. Em Curitiba, Gustavo Fruet, ex-tucano filiado ao PDT, recebeu Marina Silva duas vezes durante a sua campanha difícil até a prefeitura da Capital. Em São José dos Pinhais, apoiou Rocha Loures (PMDB).
"Naquela época eu não tinha certeza sobre o novo partido, não coloquei expectativa para ninguém. O Cheida está ajudando (com a coleta de assinaturas para a criação da Rede), o Rocha Loures também. São pessoas parceiras, que não sairão de seus partidos, mas fazem um gesto democrático de respeitar o nosso direito de dar uma nova visão à política", adianta Marina, que ontem almoçou com Gustavo Fruet.
Para criar o seu novo partido, ela precisa que sejam recolhidas 500 mil assinaturas em todo o País, distribuídas por no mínimo nove Estados. Até o momento, apenas a metade foi obtida (263.515), sendo que a contribuição do Paraná são 8,5 mil fichas preenchidas por pessoas que desejam ver a Rede em funcionamento. Letícia Camargo, 25 anos, é umas da mobilizadoras da coleta de assinaturas e disse que 400 pessoas se cadastraram pela internet para ajudar na tarefa. "Cada uma tem a meta de obter no mínimo 30 'apoios' por semana", declarou.
"Nossa intenção é ter 550 mil assinaturas até o final de junho, mesmo podendo esticar até julho", disse Marina Silva. Para poder disputar as eleições de 2014, a sigla precisa ter o registro de funcionamento expedido pela Justiça Eleitoral até outubro. Ontem, Marina percorreu o calçadão da Rua XV, no centro de Curitiba, acompanhada por um grupo de simpatizantes. À tarde, reuniu-se com eles no auditório do Curso de Direito da Universidade Federal do Paraná, para falar da plataforma política da Rede.

mockup