Marina Silva pede licença do Senado
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A senadora e pré-candidata a presidente Marina Silva (PV), encaminhou ontem requerimento à Mesa Diretora do Senado um pedido de licença temporário das atividades exercidas por ela. A previsão é que o afastamento dure até o dia 17 de junho. A decisão foi divulgada pela própria senadora durante visita realizada ontem à sede do Partido Verde, em Curitiba.
Segundo Marina, o afastamento foi solicitado para que ela possa participar de forma ativa da reestruturação programática do PV e da elaboração de um plano de governo com vistas à disputa eleitoral de outubro. A senadora é pré-candidata à presidência da república. Em nota entregue à imprensa, o PV explica que o ''processo exigirá determinado grau de dedicação e tempo, o que poderia prejudicar o desempenho no mandato da senadora''.
Durante o período de afastamento ela deixa de receber o salário de senadora, mas pode voltar ao cargo a qualquer momento. Segundo o artigo 43 do regimento do Senado Federal, o afastamento pode durar até 120 dias e não é necessário que nenhum suplente assuma a posição durante o período.
®MDNM¯Eleições
Em coletiva com a imprensa, Marina falou sobre a polêmica que envolve a construção da usina de Belo Monte. Ela defendeu a suspensão do leilão que definiu a construção da hidrelétrica. ''O Brasil não tem uma política de planejamento. Os projetos são realizados sempre para atender a demanda. Os problemas de Belo Monte não estão resolvidos e a viabilidade econômica e a população estão pagando pelo projeto.''
A senadora voltou a lamentar a desistência do PSB em lançar o deputado Ciro Gomes como candidato à presidência. ''É uma perda da democracia. Em uma eleição, o eleitor deve ter maior leque de opção (para votar). Foi feita uma operação de guerra para o Ciro não sair candidato. Eu prefiro correr o risco de ser avaliada entre muitos do que entre poucos''.
Marina afirmou ainda não ter conversado com o deputado sobre uma possível aliança para as eleições. ''O Ciro me ajudou muito dentro do Ministério (quando atuaram como ministros, ela do Meio Ambiente e ele da Fazenda). Estou respeitando este momento.''
Sobre o plano de governo a ser trabalhado na campanha, a senadora disse que irá abordar temas como saúde e agricultura, mas com especial atenção na educação. ''Esta é a base do desenvolvimento econômico social. É fundamental investir na educação'', disse.
Ela ainda criticou a proposta de criação de mais ministérios, como o da segurança pública, anunciado pelo pré-candidado do PSDB, José Serra. ''Não é uma questão de criar mais ministérios, mas sim de uma reforma na segurança pública. Criar mais ministérios antes da reforma é inchar os gastos da máquina pública'', opinou Marina.
Uma das diretrizes do PV é a defesa do meio ambiente. No plano de governo de Marina o tema também ganhará luz nas discussões, principalmente com os recentes desastres naturais ao redor do mundo. ''Não se criou sustentabilidade e os efeitos são dramáticos. Mas são processos induzidos pela gestão humana. Não é liberando dinheiro quando ocorre um desastre que iremos resolver.''
A tarde a senadora participou de um encontro com empresários na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e a noite apresentou uma palestra sobre sustentabilidade ambiental na UniBrasil. A noite viajou para Londrina, onde hoje participa de uma convenção do partido. No encontro, as discussões para o lançamento da candidatura de Paulo Salamuni para o governo do Estado e de Rubens Hering ao Senado devem avançar.


