Curitiba - A candidata do Partido Verde (PV) à Presidência da República, Marina Silva, se mostrou bastante à vontade, ontem, durante sua visita a Curitiba, onde as pesquisas chegam a apontar 19% dos votos em seu favor contra 9% a 10% na média nacional. ''Se Deus quiser, o Brasil vai seguir este exemplo e vou chegar ao segundo turno'', disse ela, que aproveitou para fazer campanha contra o voto útil.
''Esta eleição tem dois turnos, é uma oportunidade de pensar duas vezes. O brasileiro tem que aproveitar para votar no primeiro turno por quem acredita, por quem se identifica, pela sua trajetória, pelo candidato do coração. Se as pessoas pensam duas vezes na hora de decidir coisas pessoais, por que não na hora de tomar uma decisão sobre o futuro do Brasil?'', questionou.
Mesmo raciocínio ela usou para pedir votos ao candidato do PV ao Senado, Rubens Hering. ''São dois votos ao Senado. O primeiro é o voto da razão. O segundo é o do coração, do candidato que está conosco, que apoia o meio ambiente'', disse.
A candidata cumpriu uma agenda bastante simples na capital. Ela passou a manhã na Vila das Torres, bairro formado basicamente por catadores e recicladores de resíduos. De tarde, Marina cumpriria agenda em Maringá também junto a uma comunidade de catadores. Na capital, em companhia de candidatos paranaenses do PV, entre eles o candidato do governo, Paulo Salamuni, ela andou pelas ruas de chão batido, visitou um restaurante, uma bibioteca e um museu construídos pela comunidade. Ela ainda visitou a ''Casa de Marina'', montada na residência de ''Chameguinho'', personagem conhecido da cidade.
''Casa de Marina'' é o nome dado a comitês formados espontaneamente pela população. O local reúne apoiadores e estimula as pessoas a participarem da campanha, inclusive produzindo material por conta própria. Até ontem, ela já contabilizava 882 casas no Brasil, além de dez no exterior. No final, fez um discurso em um pequeno palanque verde e amarelo montado em uma pracinha local.
Marina se mostrou otimista com o crescimento de sua candidatura, uma vez que a receptividade da população nas ruas tem sido muito grande. ''Sinto nas ruas muito mais do que se vê nas pesquisas. Só estamos a 12 minutos do primeiro tempo, ainda tem muita bola para rolar'', disse.
Para conseguir uma virada, acredita que segue a estratégia correta. ''Estamos no rumo certo. Conversando nas ruas, participando de debates, não fazendo oposição por oposição nem situação por situação'', disse, aproveitando para criticar o governo atual. ''Trabalhamos com uma relação respeitosa com as conquistas, mas não sendo complacentes com os erros, porque não podemos compactuar com uma situação onde a educação que não consegue que 40% das crianças concluam a 8 série, que não tem saúde nem segurança de qualidade, que não preserva o meio ambiente'', concluiu.

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