Marina Silva diz que será ministra da ''jardinagem''
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Agência Folha 
Brasília - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aproveitou o jantar de desagravo organizado para ela anteontem à noite para dizer ao primeiro escalão do governo e à bancada federal do PT que não será ''uma ministra da jardinagem'' - acrescentando que continua no cargo e que pretende mexer em questões fundamentais e não ficar ''só na superfície''.
Segundo relato de presentes ao encontro, realizado na casa do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), a ministra disse que vai tentar convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a apoiar seus pontos de vista e que já conversa com outros colegas para que a medida provisória que trata da liberação do plantio de soja transgênica saia do Congresso com uma posição mais severa em relação às restrições de plantio e comercialização.
Derrotada em algumas de suas posições desde que assumiu o cargo, em janeiro, Marina sofreu novo revés na questão dos transgênicos - contra sua vontade, o governo editou MP liberando o plantio -, o que resultou em questionamentos sobre sua permanência no cargo. A repercussão negativa de que o governo estaria abandonando bandeiras históricas do PT na área ambiental foi agravada pela saída da legenda do deputado federal Fernando Gabeira (RJ) - citado pela ministra em seu discurso como um dos principais ambientalistas do país.
Devido a isso, João Paulo e o líder da bancada petista na Câmara, Nelson Pellegrino (PT-BA), organizaram o encontro, que contou com a presença de deputados, senadores e a maioria dos ministros petistas do governo, entre eles José Dirceu (Casa Civil) e Antonio Palocci Filho (Fazenda). ''O governo acusou o golpe da saída do Gabeira e da liberação dos transgênicos e resolveu patrocinar uma inflexão'', afirmou o deputado Chico Alencar (RJ).


