Curitiba - A presença de militantes do Partido Verde (PV) e os gritos de ''Marina presidente'' marcaram a participação da senadora Marina Silva na Bienal do Livro em Curitiba, anteontem. A senadora assina hoje sua filiação à legenda em meio a especulações sobre sua possível candidatura à Presidência da República em 2010. À imprensa, Marina negou que esteja confirmada como titular na chapa do PV. ''Se nem quem é candidato assume que é, porque eu que nem fui gestada tenho que assumir?'', brincou a ex-petista.
A parlamentar, que deixou o PT depois de 30 anos de militância, disse que não condicionou sua ida para o PV à candidatura. ''A decisão será do partido'', afirmou. Esse processo de mudança de partido, disse Marina, não é um rompimento. ''Entendam como um subsistema que não rompeu com os familiares da casa, que saiu simplesmente. Foi morar na vizinhança para que possamos continuar juntos'', declarou.
Para a senadora, sua história no PT permanece. ''Não vou esquecer que o PT foi o partido que me deu cidadania política. Só um partido que tem o trabalho de base que o PT tem poderia permitir que uma pessoa de origem humilde, analfabeta até os 16 anos, que sofreu três hepatites, uma leishmaniose pudesse se tornar política'', destacou. Mas defendeu que o partido precisa aprender com os erros que cometeu.
''Está claro que é uma situação de crise (a saída de dois senadores da legenda - o senador paranaense Flávio Arns também deixou o PT). Espero que isso inspire uma reflexão'', disse. Para Marina, o PT confundiu o partido com o governo. ''É preciso que o partido tenha autonomia.'', destacou. ''Mas nesses 30 anos me sinto parte também das coisas ruins, mesmo que eu não tenha tido participação nelas.''
Marina deixou claro qual será o foco de uma possível candidatura: o desenvolvimento sustentável. ''Estamos numa esquina ética na qual teremos que optar se vamos seguir em frente num processo que não é sustentável ou vamos tomar um novo caminho'', apontou. Durante palestra na Bienal, a senadora destacou que o atual padrão de consumo está colocando em risco a sobrevivência da humanidade.
''Se defendermos que esse padrão de consumo dos europeus e norte-americanos pode ser universalisado vamos assumir que existe cidadão de segunda, terceira classe. Esse não é um padrão que possa ser de todos porque precisaríamos de quatro planetas Terra e só temos um'', disse.
A senadora diz que decidiu mudar para o PV para se juntar aos ''convencidos'' para que sua atuação dê mais resultado. ''O PV se comprometeu de promover uma reestruturação interna e de assumir o discurso da sustentabilidade como plataforma do partido'', explicou.
Marina defendeu que a questão ambiental deve pautar também a agenda política dos cidadãos. ''É preciso garantir sustentabilidade política para as mudanças'', defendeu.

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