Marina pede transparência e defende cartão corporativo
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domingo, 30 de maio de 2010
Francisco Carlos de Assis<br>Agência Estado 
São Paulo - Motivo de polêmica envolvendo gastos irregulares de ministros de Estado, dois anos atrás, o cartão corporativo do governo federal estaria a salvo em um eventual governo da pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva. Foi o que ela garantiu ontem. ''As pessoas me perguntam se vou acabar com o cartão corporativo. Não vou'', declarou a pré-candidata, em palestra para professores, alunos e lideranças das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), no Teatro Tuca, da Universidade Pontifícia Católica (PUC) em São Paulo.
Para Marina, a má utilização de uma ferramenta não justifica sua eliminação. O necessário nos casos que envolvem o manuseio e gastos dos recursos públicos é transparência. ''Temos que fazer do cartão corporativo uma espécie de Big Brother para que toda a sociedade possa fiscalizar'', disse a pré-candidata do PV, numa analogia com o reality show da TV Globo.
''O que é uma tapioca? Na minha terra o que mais tem é tapioca e eu dou umas tapiocas de graça'', disse em alusão ao ministro dos Esportes do governo Lula, Orlando Silva, provocando risos na plateia. Em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, em 8 de abril de 2008, o ministro disse que o uso do cartão do governo para pagar a tapioca de R$ 8,30 foi por ''engano''.
Corrupção
''Por que esconder os gastos públicos?'', questionou a pré-candidata. Os gestores da coisa pública, argumentou, precisam ter em mente que estão lidando com os recursos da população. Marina lamentou as perdas com corrupção, que no Brasil correspondem a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) enquanto o que se gasta com Educação é 4% do PIB.
A ex-ministra do Meio Ambiente voltou a defender as reformas política e tributária. No caso da política, pediu uma ''oxigenação''. Esse processo, entre outras coisas, explicou, consiste na abertura para que as pessoas possam apresentar suas candidaturas sem ter que estar filiadas a um partido. Sugere que se adote no Brasil a ''lista avulsa'', como ocorre na Itália. Por este sistema, uma pessoa não-filiada a um partido pode, se coletar um número ''X'' de assinaturas, registrar sua candidatura. Quanto à reforma tributária, ela deveria considerar, além da demanda do Estado como agente arrecadador, o lado da oferta do Estado enquanto provedor de serviços para a sociedade.
Banco Central
Marina reiterou a defesa da autonomia do Banco Central nas decisões de política monetária. No entanto, deixou claro que se opõe a uma forma mais institucionalizada, nos moldes da Argentina. ''O piloto tem que ter autonomia no voo do avião'', comparou.
O tripé macroeconômico - câmbio flutuante, metas inflacionárias e superávit primário -, que na avaliação de Marina garante a estabilidade da economia, seria mantido em um governo do PV, disse a senadora, ressalvando, contudo, que isso ''não é um dogma''.


