Brasília - A ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente) disse ontem que não deixou o governo magoada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela saiu em defesa de Lula ao negar que o presidente tenha como prioridade o desenvolvimento do país em detrimento das políticas ambientais. Marina disse que, se o seu objetivo fosse sair como ''heroína'', teria deixado o cargo durante os embates com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para a concessão de licenças ambientais na construção de hidrelétricas do rio Madeira - que estão entre as principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
''Naquele momento eu poderia sair como heroína, mas em nenhum momento o presidente Lula disse para conceder as licenças ambientais para as hidrelétricas de qualquer jeito. É claro que houve o tensionamento de setores, mas ele não disse que queria as coisas de qualquer jeito. Se eu saísse naquele momento, seria uma injustiça, ficaria a impressão de que ele estava passando por cima de mim'', enfatizou.
A ex-ministra disse que, apesar de não pedir pessoalmente ao presidente para deixar o governo, deixou claro na carta de demissão o tom ''respeitoso'' com que se dirigiu a Lula. Marina disse que seu objetivo não foi constranger o presidente ao sair do ministério em meio ao embate com os ministros da chamada ''ala desenvolvimentista''. ''Eu aguardei para fazer isso. Não foi em hipótese alguma (para constranger o presidente), foi da forma respeitosa como eu sempre fui.''

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