Curitiba - A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, afirmou ontem em Curitiba que manterá sua posição de independência no que se refere à disputa eleitoral no Paraná, ao menos até o fim do primeiro turno. Acompanhada do vice Beto Albuquerque (PSB), ela discursou para um público formado por correligionários do PSB, da Rede Sustentabilidade, partido que pretende criar, e de siglas que integram a sua aliança nacional. Foi a primeira visita da ex-ministra do Meio Ambiente ao Estado desde o início da campanha.
"O Beto tem cumprido a agenda do PSB e eu me mantenho da mesma forma desde o dia 4 de outubro, quando isso foi estabelecido. O segundo turno, eu vou repetir o meu mantra: se disputa no segundo turno", desconversou, citando ainda o caso de São Paulo. "Eu disse que não ia subir no palanque do governador (Geraldo) Alckmin, como de fato não estou fazendo."
Questionada pela FOLHA sobre como pretende se relacionar com o futuro governador do Paraná, caso seja eleita, a pessebista disse que sua posição, em relação a todos os Estados, será de respeito à vontade soberana da população. "Não concordo com essa política mesquinha, de velha política, de que você só faz convênios, só oferece suporte e apoio legítimo àqueles que são do seu partido ou da sua coligação." Segundo ela, o aporte de recursos levará em conta os critérios da impessoalidade, da constitucionalidade e da probidade administrativa.
Dos oito postulantes ao Palácio Iguaçu, apenas Tulio Bandeira (PTC) acompanhou os discursos. A vice na chapa de Roberto Requião (PMDB), Rosane Ferreira (PV), porém, também marcou presença. Embora no Paraná o PSB seja aliado do governador Beto Richa (PSDB), Rosane mantém relação estreita com a ex-senadora. Sem nenhum dos candidatos favoritos à disputa estadual no palanque, coube a Mauri Viana (PRP), que concorre ao Senado, e a diversos postulantes à Câmara Federal, como Luciano Ducci (PSB), Dra. Clair (PPL) e o porta-voz da Rede no Paraná, Eduardo Reiner (PV), dividirem as atenções da presidenciável.
Ao garantir que, se eleita, dará prioridade à mobilidade urbana, Marina falou que faz uma homenagem a Curitiba, "cidade que serviu de inspiração para tantas outras" no que concerne ao tema. "Nós temos o compromisso de, a exemplo do que foi feito aqui e que precisa ser aperfeiçoado, ampliar cada vez mais as faixas exclusivas para os ônibus e investir em cerca de mil quilômetros nas cidades para os transportes sob trilhos, os VLTs." A candidata também prometeu valorizar o transporte não motorizado, caso das bicicletas.
Em outra referência ao Estado, Marina lembrou que a agricultura possui importante participação na economia do País. "Temos, a exemplo do que acontece no município de Maringá, uma forte cultura do cooperativismo. No nosso programa de governo, nós estamos favorecendo políticas públicas que ajudem essa forma colaborativa de produzir, de gerar riqueza, de gerar melhor qualidade de vida para as pessoas."
Sobre a relação com o agronegócio e seu passado de ativista ambiental, a ex-senadora lembrou que, há 15 anos, defende a integração entre economia e ecologia. "Não é só uma questão de dizer o que não pode. É dizer como pode. Nós temos um Código Florestal que foi aprovado. Vamos ter políticas que ajudem os produtores a fazer o cadastro ambiental, vamos trabalhar para que (eles) possam ter em suas propriedades o cuidado com a proteção ao meio ambiente, e isso não significa reduzir produção". Mais cedo, Albuquerque participou, sozinho, de um café da manhã com representantes do agronegócio, em um hotel de Curitiba. Marina negou, contudo, que esteja evitando encontros com o setor. "Não terceirizo essa interlocução nos espaços em que ela cabe ao meu papel. Eu e Beto temos feito esse trabalho de forma conjunta."

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