Recebida com rojões em um hotel da cidade, a pré-candidata pelo Partido Verde (PV) à Presidência da República Marina Silva cumpriu extensa agenda em Londrina ontem. Visivelmente abatida, ela chegou com atraso de uma hora ao primeiro compromisso, pela manhã, uma entrevista coletiva. ''Culpa deste friozinho. Pegou a minha garganta'', justificou.
Questionada se considera a campanha ''bipolarizada'' entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), Marina se apoiou nos dados da última pesquisa do Instituto Datafolha, de 16/04, que a apresenta com 12% das intenções de voto num cenário já sem Ciro Gomes (PSB). Serra tem 42% e Dilma 30%. ''A polarização torna-se um plebiscito, o que é muito pequeno diante do desafio que temos para o Brasil. Esses 12% mostram que a sociedade está despolarizando a campanha. A ideia de quem torna a campanha um plebiscito é aviltar as dificuldades do Brasil e diminuir a contribuição que cada um pode dar neste processo'', destacou.
A exemplo do que havia feito no dia anterior, em Curitiba, ela voltou a lamentar a saída de Ciro Gomes da disputa. ''Foi feita uma operação para excluir o Ciro. Acho que todos que fizeram o possível para expurgá-lo do processo depois vão querer assimilá-lo'', disse.
Marina ratificou que o PV não deve fazer coligações no âmbito nacional, mesmo que isso lhe custe menos tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão. Segundo ela, as conversas com o Psol não evoluíram. Para vice, o partido ainda espera a resposta do empresário Guilherme Leal, que preside a empresa Natura. ''Nosso critério é sempre programático e não pragmático.'' Para a fazer as reformas que há anos são prometidas, como a previdenciária, política e trabalhista, Marina disse que ''se possível, vamos convocar uma constituinte exclusiva para fazer as reformas para o país''.
Após a entrevista, no 26º Encontro Estadual do PV, ela deixou o tom mais brando de lado, falando para uma plateia reazoavelmente pequena, mas inflamada. No discurso, defendeu os programas sociais do governo Lula, explicando que pretende mantê-los e até fazer com que criem mais oportunidades para o jovem, aliando cada vez mais os benefícios com a necessidade de que os filhos de quem os recebe esteja na escola; e ressaltou a estabilidade econômica atingida no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas não perdeu a chance de alfinetar os adversários.
''O sociólogo fez a estabilidade, o operário quebrou o paradigma de que é possível tirar as pessoas da pobreza. Mas estão preparando um plebiscito entre o passado de FHC e de Lula. O Brasil é mais que isso, mais que o currículo do Serra e da Dilma, é um país de todos, como diz o slogan do governo atual. Nossa campanha não vai ser dos caciques, mas dos índios'', bradou para arrancar aplausos.
Na cidade, ela ainda conversou com empresários, evangélicos e finalizou o dia com uma palestra para universitários.

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