São Paulo - A provável vice na chapa do PSB à Presidência da República, Marina Silva (PSB), divulgou nota ontem discordando do apoio de seu partido à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo de São Paulo. Marina afirma que a aliança é um "equívoco" e que a Rede Sustentabilidade "não seguirá essa indicação". "Consideramos necessário manter independência e lançar uma candidatura própria, que dê suporte ao projeto de mudança para o Brasil liderado por Eduardo Campos, e que dê ao povo de São Paulo a chance de fazer essa mudança também no âmbito estadual", escreveu a ex-senadora.

Desde que a Rede Sustentabilidade se uniu ao PSB, em outubro de 2013, há divergências entre os grupos, sempre minimizadas pelo presidente do partido, Eduardo Campos. A aliança com o PSDB em São Paulo, desejo do presidente estadual do PSB, Márcio França, é uma das disputas internas mais importantes. Na última sexta-feira, uma reunião do diretório paulista do PSB aprovou por unanimidade um indicativo de apoio a Alckmin.

Na nota, Marina ressalta que a Rede busca criar uma alternativa "que supere a velha polarização PT-PSDB, e que proporcione apoio efetivo à candidatura de Eduardo Campos". Em seguida, a ex-senadora diz que espera que os "companheiros do PSB" não levem adiante essa indicação.

"Desde já, deixamos clara nossa posição de que, caso essa indicação não seja revertida, seguiremos caminho próprio e independente em São Paulo", escreveu.

Indicação
O diretório do PSB em São Paulo aprovou na sexta-feira o apoio da sigla à reeleição de Alckmin. Durante o encontro, o nome do presidente estadual da sigla, deputado Márcio França (PSB-SP), foi indicado para ocupar o lugar de vice na chapa. O espaço que o partido terá na coligação, no entanto, ainda não foi definido. O ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) também pleiteia a vaga e o PSB poderia ficar com a indicação para o Senado.

Na visão dos dirigentes do PSB paulista, a aliança com o PSDB é o melhor caminho para aumentar as chances de vitória da sigla na corrida presidencial. Eles apostam que o distanciamento entre Alckmin e o pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, pode favorecer Campos no Estado. "Se o PSB for vice, Alckmin vai ficar constrangido em negar apoio ao nosso candidato, Eduardo Campos. O governador vai saber medir as suas palavras em críticas e elogios aos dois candidatos", disse Valdomiro Lopes, prefeito de São José do Rio Preto.

Em sua exposição inicial, França, que foi secretário de Alckmin e era um dos maiores entusiastas da aliança, afirmou que tentou chegar a um acordo com o grupo de Marina, mas eles não aceitaram o seu nome como vice na chapa tucana.

Mesmo sabendo que não conseguiria reverter a decisão do diretório estadual, a ex-ministra enviou representantes para a reunião. O porta-voz da Rede Sustentabilidade, Walter Feldman, que assim como Marina se filiou ao PSB quando a Rede não saiu, argumentou ser uma contradição defender "o vento da mudança" no plano nacional e fazer uma aliança com o PSDB em São Paulo, já que a sigla comanda o Estado há 20 anos. A decisão definitiva será tomada somente na convenção estadual do PSB, marcada para 21 de junho.

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