Os 6.596 eleitores de Mariluz (35 km a sudoeste de Umuarama) voltam às urnas dia 16 de dezembro para escolher o novo prefeito. Oficialmente, os dois grupos políticos se esforçam para desvincular a campanha da tragédia que abalou o município no início do ano, mas boatos lançados nos bastidores exploram o fato e geram medo e incertezas entre os eleitores.

Provavelmente o único município em campanha eleitoral no Brasil, Mariluz, com pouco mais de dez mil habitantes, vai escolher o novo governante porque está sem prefeito e vice antes de completarem dois anos de mandato. O vice-prefeito Aires Domingues (PPS) foi morto a tiros dia 28 de fevereiro junto com o presidente do PPS local, Carlos Alberto de Carvalho. Acusado de ser o mandante do duplo homicídio, o prefeito e padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB) acabou cassado dia 6 de agosto por denúncias de improbidade administrativa.

Adelino desistiu de recorrer da cassação alegando que a batalha judicial demorada prejudicaria ainda mais a população. Em agosto, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou novas eleições.

O professor e ex-prefeito Luiz Albino Borgetti (PFL) e o comerciante Aparecido Pinheiro de Macedo, o Cido Pinheiro, (PMDB) disputam a eleição. Borgetti aglutinou o grupo ligado aos políticos assassinados. Pinheiro pertence ao grupo do prefeito cassado, mas faz questão de frisar que não tem nenhum compromisso com padre Adelino.

O pefelista sustenta que o passado deve ser esquecido. ''Estamos fazendo campanha com base no trabalho da minha gestão (1998 a 2000) e nas propostas de governo, sem atacar o outro candidato ou explorar os crimes'', garantiu.

A coordenadora da campanha do PMDB, Ivone Perecin, porém, acusa os adversários de jogar sujo, usando o crime para denegrir a oposição ou lançando boatos de que Adelino vai continuar mandando em Mariluz. Pinheiro deixa claro que pertence ao mesmo grupo político de Adelino, mas garantiu que não tem nenhum tipo de acordo com ele.

Faltando uma semana para a eleição, o clima na cidade é de relativa tranquilidade. Os partidos tentam gastar o mínimo possível e os dois candidatos investem basicamente no corpo-a-corpo. A propaganda eleitoral se resume a placas e adesivos afixados nos postes e carros, algumas placas nas ruas do centro e dois carros de som circulando na cidade.

Os pefelistas começaram também a realizar comícios e a expectativa do PMDB é de organizar um até o encerramento da campanha, no dia 13. O juiz eleitoral Siladelfo Rodrigues da Silva tentou convencer os dois grupos a não promover concentrações públicas para evitar eventuais confrontos.

Simpatizante da candidatura do pefelista, o prefeito em exercício, Benedito da Costa (PPB), afirmou que se mantém afastado da campanha justamente para não gerar especulações ou denúncias sobre uso da máquina em favor do PFL.

A maioria dos eleitores evita declarar voto e a alegação é sempre a mesma. ''A gente tem bom relacionamento com os dois candidatos e prefere manter o voto em segredo'', disse uma pessoa que não quis se identificar.

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