Em depoimento ontem à Corregedoria-Geral do Senado, o técnico do Prodasen Ivar Ferreira confirmou a versão de sua mulher, a ex-diretora do Prodasen Regina Borges de que o senador José Roberto Arruda pediu a violação do painel eletrônico de votações do Senado. Ao contrário do que disse Arruda, Ferreira reiterou que Regina foi determinada pelo parlamentar a retirar a lista contendo o resultado da votação secreta, que levou à cassação do ex-senador Luiz Estevão.
Ferreira contou também que depois de sua mulher se reunir com Arruda voltou para casa ‘‘muito aflita’’. ‘‘Ela disse ter recebido ordens do senador Arruda, representando o senador Antonio Carlos Magalhães’’, contou o corregedor, Romeu Tuma (PFL-SP), reproduzindo o relato de Ferreira. No discurso de ontem, Arruda negou ter dado ordens a Regina.
Segundo o senador, ele fez apenas uma ‘‘consulta’’ a ela, que se ‘‘precipitou’’ realizando toda a operação de violação do sistema. Ele também negou ter orientado a funcionária usando o nome do então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, embora tenha confirmado que a lista foi entregue para ele, após ser retirada do sistema eletrônico.
Tuma afirmou, ainda, que os funcionários do Senado envolvidos na violação do painel poderão ser acusados de formação de quadrilha, crime previsto no artigo 288 do Código Penal. ‘‘A forma de organização dos funcionários encontra um paralelo, embora não esteja tipificado crime algum, com formação de quadrilha pois eles se organizaram para cometer um delito’’, comentou. Em seguida, ele reiterou que a confissão de culpa de Arruda não minimiza a imputação de responsabilidades dos funcionários.
O ex-assessor de Luiz Estevão e funcionário da Presidência da República, Nilson da Silva Rebello, que foi convidado a depor na Corregedoria-Geral para esclarecer se era verdade de que dispunha de informações de que o painel teria sido violado, afirmou apenas que ‘‘nunca viu interesse do Palácio do Planalto’’ em saber o resultado da votação. Rebello admitiu que era ‘‘amigo’’ de Luiz Estevão e do ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas.
Numa operação que durou três horas, técnicos do Senado e o ex-delegado da Polícia Federal Paulo Lacerda, que assessora Romeu Tuma, sob orientação de Ivar Ferreira recolheram disquetes e rastrearam o computador utilizado na violação do painel. Ferreira afirmou que foram utilizados dois disquetes: um para copiar a lista e outro para registrar o programa que ‘‘provaria’’ que os votos não foram adulterados apesar da violação – todos teriam sido apagados, segundo Regina Borges.
Tuma quer verificar a possibilidade de resgatar a polêmica lista. ‘‘Não pretendo tirar uma cópia da lista porque poderia incorrer no mesmo erro que houve antes, o que eu quero é saber se há ou não essa possibilidade’’, afirmou Romeu Tuma, que deixou o Prodasen levando uma caixa com disquetes retirados do centro de processamento de dados e vários documentos. De acordo com Regina Borges, o disquete usado para copiar a lista foi apagado.
No final da tarde, o Conselho de Ética marcou os depoimentos dos técnicos Heitor Ledur e Hemílo Nóbrega, além do ex-funcionário da empresa gaúcha Eliseu Kopp (fornecedora do painel eletrônico) Sebastião Gazolla. De acordo com Regina Borges, todos participaram da violação do sistema eletrônico seguindo suas ordens. A expectativa é de que confirmem a operação acrescentando mais alguns detalhes, provavelmente de ordem técnica.
A previsão é que o Conselho de Ética conclua o processo que investiga a violação do sistema e a quebra de decoro dos parlamentares dentro de um mês.

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