Curitiba - Apesar de estar lotada na Presidência da Assembléia Legislativa, Maria Ricardina Sotto Maior trabalharia na Biblioteca da Casa. A informação foi passada anteontem pelo diretor legislativo da Casa, Severo Sotto Maior, irmão de Ricardina. Na terça-feira, Ricardina não estava na Biblioteca, onde a Reportagem foi pessoalmente procurá-la. A Reportagem avisou, entretanto, que retornaria no dia seguinte à Biblioteca para fazer uma nova tentativa. Ontem, por volta das 15 horas da tarde, a Reportagem chegou à Biblioteca e Ricardina novamente não estava lá. Um funcionário do local ligou para Severo avisando sobre a presença da Reportagem. Cerca de 20 minutos depois, Ricardina chegou à Biblioteca, onde concedeu uma entrevista à FOLHA.
Ricardina disse que trabalha na Assembléia Legislativa há ''uns oito ou nove anos''. Ela contou que sua contratação não tem ligação com seu irmão Severo, nem com Olympio de Sá Sotto Maior, procurador-geral de Justiça, já que teria sido indicada por um deputado estadual. Ela não tinha certeza do nome do parlamentar. Durante a entrevista, Ricardina hesitava ao pronunciar as palavras, e não respondeu em detalhes os questionamentos da Reportagem. Ricardina contou que começou a trabalhar na Coordenadoria das Comissões, na ''parte administrativa''. A Coordenadoria das Comissões é ligada à diretoria legislativa.
Ela disse que não haveria irregularidade quando a Reportagem perguntou sobre o fato dela trabalhar em um local diferente daquele onde ela está oficialmente lotada. Ela disse ainda que não sabia qual era o símbolo do seu cargo comissionado. É o símbolo que, nos casos dos cargos comissionados, define o valor do salário.
Ricardina não respondeu imediatamente ao ser questionada sobre o horário do seu expediente. Depois ela informou que trabalhava entre 13h30 e 18 horas, mas reforçou que preferia que o horário fosse confirmado pela sua chefe.
Ricardina disse que não estranha o fato de funcionárias na Presidência não a conhecerem, apesar dela trabalhar há quase dez anos na Casa. A Reportagem contou que esteve na Presidência, no dia anterior, e funcionários não sabiam quem era Ricardina. ''Eu também não conheço ninguém lá'', disse ela.
O próprio presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (DEM), disse ontem à Reportagem que desconhece o nome, mas admite que ''não sabe o nome de todo mundo''. (C.S.)

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