Maria Elisa deixa equipe do governador
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terça-feira, 11 de julho de 2000
Leandro Donatti De Curitiba 
A secretária da Administração, Maria Elisa Paciornik, vai deixar o governo do Estado. Maria Elisa assume até o final do mês a função de diretora de relações institucionais da Renault. A secretária vai trabalhar em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde a montadora francesa está instalada desde 1997. Salvo mudança de última hora, a posse está agendada para o dia 1º de agosto.
A Folha apurou que a secretária aceitou o convite nesta semana, depois de uma longa conversa com o governador Jaime Lerner (PFL), no Palácio Iguaçu. Desde então, o governador está à caça de um novo secretário para a Administração. Até ontem, ele ainda não havia encontrado nenhum nome com o perfil para assumir a pasta. Lerner não quer que a saída de Maria Elisa crie um clima de especulação dentro de seu governo, para evitar crises.
Maria Elisa teve papel preponderante na vinda da Renault para o Estado. A secretária participou intensamente do processo de negociação. Na época, ela era representante do Brasil para o setor industrial na Organização das Nações Unidas (ONU). Maria Elisa morou em Paris e ficou na função até o final de 1998, quando aceitou ser secretária.
O desligamento da secretária da Administração deve ser anunciado nas próximas horas. O governador pediu sigilo absoluto para seus assessores mais próximos. Lerner não gosta de ser surpreendido pelos jornais e quer fazer uma solenidade especial para comunicar a decisão de Maria Elisa, que até ontem era irrevogável.
A informação é extraoficial, mas corria nos bastidores do governo ontem de que o salário pago pela Renault à Maria Elisa será de aproximadamente R$ 12 mil ao mês. Maria Elisa está com o grupo político de Lerner desde 1971, quando da primeira gestão do governador como prefeito de Curitiba. Ela também respondeu pela Secretaria da Administração e foi responsável pelo recadastramento dos servidores municipais.
No governo Lerner, Maria Elisa trombou com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e até com o governador. Com Gionédis, o ponto de atrito foi o pagamento integral do abono de férias dos professores. Ao contrário de Gionédis, a secretária defendeu o repasse em cota única. Com Lerner, a briga foi mais grave.
Maria Elisa idealizou um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para os servidores públicos estaduais, que o governador não quis assumir com medo de desgaste. A secretária apresentou a polêmica proposta quando o Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado (Crafe) ainda tinha poderes junto ao governador. O Crafe passou a ter papel figurativo.
A idéia da secretária, na época, era acelerar a adequação do Paraná à Lei Rita Camata, que limita em 60% das receitas líquidas os gastos com a folha de pagamento do funcionalismo. Hoje, o Paraná está acima deste limite.


