Marco Zero: empresário nega irregularidades
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
O empresário Raul Fulgêncio defendeu a legalidade do Complexo Marco Zero em Londrina e criticou os membros da Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Alvarás e do Habite-se que apontaram irregularidades no loteamento dos 230 mil metros quadrados onde foram construídos o Boulevard Shopping, o Hotel Ibis e a Leroy Merlin, na zona leste. Os três principais problemas do loteamento, segundo a comissão, são a anexação indevida da área da mata ao terreno maior; a doação de ruas que já eram do município (somando 18 mil metros quadrados) para integrar os 35% de área que o empreendedor tem obrigação de doar; e desrespeito ao zoneamento.
Fulgêncio acusa a CEI de omitir documento que prova a legalidade do loteamento. "Eles omitiram o principal documento da investigação. Isso é crime." Ele se refere à Planta de Anotação, Anexação e Subdivisão expedida pela prefeitura em 20 de julho de 2004. "Este documento foi emitido para o proprietário anterior (Coimbra), antes de eu comprar a área, e autoriza a computar as ruas no cálculo dos 35%. Portanto, não houve nada ilegal."
De fato, o documento informa que "as áreas já municipalizadas deverão fazer parte do cômputo do referido solo". Porém, a CEI analisou tal documento (à página 10 do relatório) e outro semelhante a Diretriz 142/2004, também expedida pela Secretaria de Obras, mas questionou o conteúdo uma vez que inexiste lei municipal autorizando a antecipação da doação. "Tal autorização para contagem das áreas já pertencentes ao município não originou-se de lei alguma, mas sim da Diretriz 142/2004". Mais à frente, a comissão reputa equivocado tal entendimento. O Marco Zero comprou a área da Coimbra em 2005.
Fulgêncio também negou ilegalidades na anexação da mata de 39 mil metros quadrados à área principal, de 172 mil metros quadrados. Para a CEI, este procedimento foi ilegal porque as áreas já estavam separadas fisicamente pela Avenida Theodoro Victorelli e o único objetivo foi "compor o percentual a ser doado" e "evitar que outras áreas fossem descontadas do terreno maior (onde estão os empreendimentos)".
O empresário disse que a inclusão da mata foi um pedido do prefeito da época, Nedson Micheleti (PT), e que "pra nós não fazia diferença incluir ou não incluir a mata". "Foi mais vantajoso para o município incluir a mata", defendeu. Segundo ele, se o loteamento for reavaliado, conforme deseja a CEI, "a prefeitura teria que devolver áreas". Quanto ao zoneamento, Fulgêncio também sustentou que foi aprovado pelo município. Para a CEI, pelo fato de as duas áreas terem zoneamento diferente deveria ter prevalecido o de menor coeficiente, que era o residencial, atribuído à mata. Mas, no caso do Marco Zero, prevaleceu o comercial, da área maior.
Para o empresário, o trabalho da CEI foi tendencioso porque "o Ossamu, o Humberto e agora o Carlos disseram que o loteamento foi legal", disse ele, referindo-se ao servidor e ex-secretário de Obras Ossamu Kaminagakura, a Humberto Marque de Carvalho, que era servidor do Ippul e hoje presta serviços a empresas privadas, como o Marco Zero, e a Carlos Augusto da Silva, atual assessor técnico do Ippul. "Ippul e Obras confirmaram a legalidade. Todos confirmam isso, mas a CEI não levou nada em consideração. Não vale nada o que disseram", questionou. "Queria saber com que intuito fizeram isso e se atendem algum interesse."
Após fazer críticas pessoais aos integrantes da CEI, ele também repetiu o que já havia afirmado durante depoimento à CEI: "Eu deveria ser homenageado porque fizemos um empreendimento sem um centavo de verba pública, mas estou sendo criminalizado".


