Marco Regulatório será polêmico, prevê Carvalho
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sábado, 11 de dezembro de 2010
Luciano Augusto<BR> Reportagem Local 
Avesso a holofotes, o futuro secretário-geral da Presidência e atual chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o londrinense Gilberto Carvalho, 59 anos, viveu um dia atípico ontem em solenidade na Associação Recreativa Esportiva Londrinense (AREL). Por conta da homenagem que recebeu da Prefeitura foi a primeira personalidade a ser condecorada com a Medalha 10 de Dezembro , ele dominou as atenções e foi assediado pela imprensa sobre os desafios que enfrentará nos primeiros meses da gestão de Dilma Rousseff. O principal é a elaboração do projeto do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, cujo objetivo é regulamentar a relação do governo federal com as entidades sociais.
A relação do atual governo com as ONGs e movimentos sociais sempre foi alvo de críticas, principalmente com relação à falta de fiscalização sobre os repasses que, em 2009, somaram quase R$ 30 bilhões. Nesta semana, novas denúncias dão conta de que o Ministério do Turismo teria repassado cerca de R$ 3 milhões a um instituto fantasma. Em 2007, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instaurada para investigar os contratos. Os trabalhos foram encerrados em novembro, sem que os deputados conseguissem votar um relatório final.
Por conta disso, o governo pretende disciplinar a relação com as ONGs flexibilizando as regras, o que pode servir de combustível para a oposição. Já há uma série de propostas reunidas pelos movimentos sociais, com os quais vou me reunir no próximo dia 15 para colher deles as propostas para o projeto, que vai ser muito polêmico, comentou em entrevista exclusiva à FOLHA ao chegar a Londrina. Ele concorda que, por ter a responsabilidade de intermediar as relações entre movimentos sociais e governo, a Secretaria Geral é um território de tensões, mas que pretende garantir o diálogo entre as partes, assim como faz hoje o ministro Luiz Dulcci.
Como a nova função já ocupa parte da agenda, Carvalho parece ainda não ter refletido sobre a separação após quase nove anos do amigo Lula, companheiro de mais de três décadas. Tive o privilégio de conviver ao lado desse personagem que marca a história do Brasil, tanto do ponto de vista político quanto humano. A falta dele vai deixar um buraco, disse com saudosismo.
A homenagem prestada ontem pelo prefeito Barbosa Neto (PDT), fez Carvalho recordar da infância e dos oito anos vividos em Londrina. Menino ainda, ele saiu para estudar e nunca mais residiu na cidade, onde vive seus familiares. Quero honrar essa homenagem com mais trabalho, porque foi isso que aprendi com meus pais, avós e com o povo daqui.


