O mandato vai começar quase um mês mais cedo para o deputado federal eleito Márcio Arthur de Matos (PT), de Telêmaco Borba. Ele desembarca domingo em Brasília para ocupar a vaga, durante a convocação extraordinária, do deputado federal Paulo Bernardo (PT). Bernardo licenciou-se da função para assumir, antes do final de seu mandato, a secretaria de Finanças do governo do Mato Grosso do Sul. O deputado não conseguiu se reeleger e foi convidado pelo governador Zeca do PT para administrar as finanças do Estado.
Márcio de Matos é o segundo suplente do PT. O primeiro, Natálio Stica, é vereador em Curitiba e, segundo Bernardo, não aceitou assumir somente por um mês porque isso o obrigaria a renunciar ao cargo na Câmara de Vereadores de Curitiba.
Matos votará todas as matérias do período extraordinário. Ele está em seu primeiro mandato e antecipa em quase um mês o início dos trabalhos na Câmara que, para os deputados eleitos para o mandato de 1999-2002, começa somente no dia 1º de fevereiro.
Se a Câmara pagar, ele receberá proporcionalmente aos dias trabalhados pela convocação extraordinária - o salário bruto mensal é de R$ 8 mil. O período extra vai de 4 a 29 de janeiro. Funcionários da Diretoria Geral da Câmara informaram ontem à Folha que a definição sobre o pagamento da convocação extra do Congresso - R$ 9,5 milhões - está nas mãos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso Mello. Uma ação na Justiça do Rio de Janeiro proíbe o repasse, mas a Câmara encaminhou recurso ao STF contestando a decisão.
Matos não acha mal receber pelo período extraordinário. ‘‘Ajuda, né?’’. Entre os assuntos a serem votados está o aumento da alíquota da CPMF (o imposto do cheque) de 0,20% para 0,38%. O deputado eleito, que é médico, disse que votará contra. ‘‘Inventaram que a CPMF ia para a saúde e não veio. Agora querem dobrar e eu não concordo. Voto contra’’, antecipou.
Ele disse desconhecer os outros assuntos da pauta. ‘‘Vou chegar domingo para tomar pé da situação e correr na liderança do PT’’, explicou. Ele disse estar apreensivo com o ano que se inicia. ‘‘A crise torna difícil a obtenção de conquistas para o Estado e a região’’, admitiu. O deputado eleito disse, no entanto, que aposta em seu crescimento político. ‘‘Será importante estar perto do poder e poder opinar. Quero representar com coerência os 37 mil eleitores que depositaram confiança na gente’’, prometeu. Matos promete defender a reforma política e partidária.

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