Márcia Lopes deixa o Governo Lula
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Márcia Lopes, deixa o cargo a partir do próximo dia 1º para retornar a Londrina. Militante petista desde 1982 e ex-vereadora, Márcia afirmou que, uma vez reinstalada na cidade, voltará às atividades acadêmicas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), pelo curso de Serviço Social.
A secretária estava no MDS há quatro anos, a convite do ministro da área, Patrus Ananias. No lugar dela, em janeiro, assume a médica Arlete Sampaio, deputada distrital e ex-vice governadora do Distrito Federal sob a gestão do hoje senador Cristóvam Buarque (PDT).
Márcia explicou que ''questões pessoais'' a fizeram deixar o cargo. Entre eles, citou, estão a presença de praticamente toda a família (como o marido, o administrador Paulo Lopes, e dois dos quatro filhos) em Londrina e o vínculo já de 26 anos com a UEL. Ela está licenciada da instituição desde que se integrou à equipe do MDS, em 2004, onde - na condição prática de vice-ministra - recebia salário bruto de cerca de R$ 10 mil mensais (aproximadamente R$ 7 mil).
Em entrevista à FOLHA, de férias na cidade, Márcia avaliou como ''positiva'' a passagem por Brasília na pasta que, politicamente, é estratégica para o Governo Lula: é o Desenvolvimento Social que coordena os programas de distribuição e renda, como o Bolsa-Família. Em números, por exemplo, a pasta que já teve orçamento anual de R$ 6 bilhões, no primeiro mandato lulista, prevê para o ano que vem algo em torno de R$ 28 bilhões.
''Foi uma experiência importante pois tive a oportunidade de conhecer todos os estados brasileiros, com toda a complexidade e as políticas sociais para cada região'', disse, para completar: ''Isso proporcionou uma visão de conjunto do País, particularmente nessa junção entre segurança alimentar, assistência social e o programa Bolsa-Família. Reunimos programas e projetos comuns e os integramos''.
A secretária destacou uma ''absoluta autonomia do presidente à composição da equipe'' - formada, explicou, por pesquisadores e gestores na coisa pública de todo o Brasil. ''É um balanço positivo o desses quatro anos, e não só do governo federal em si, mas o do pacto feito o tempo todo com estados e municípios, independentemente do partido.''
Entre os planos para 2008, Márcia descartou a participação no processo eleitoral, onde o nome do PT à Prefeitura deve ser o do deputado federal André Vargas. Um retorno à Câmara também foi rechaçado. ''Quero apenas retomar a docência e voltar a estudar (em doutorado). Com certeza, não saio a cargo eletivo algum, e, como campanha exige dedicação, acredito que isso não será possível em 2008'', garantiu.


