Os ânimos se acirraram ontem à tarde na Câmara Municipal de Londrina. O inesperado encerramento da sessão provocou troca de acusações entre vereadores do bloco oposicionista e a ala que apóia o prefeito Nedson Micheleti (PT), e entre a líder do governo na Câmara, vereadora Márcia Lopes (PT) e o presidente do Legislativo, vereador Orlando Bonilha (PL). ''Não estou aqui para defender interesses ou projetos e sim a governabilidade da casa'', afirmou Bonilha, referindo-se às críticas de Márcia sobre a condução dos trabalhos da Mesa Diretora, que encerrou a sessão antes que o projeto de interesse do Executivo fosse votado.
O projeto transfere R$ 4,8 milhões da rubrica dos precatórios no orçamento do município para a conta da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). O tumulto e a troca de acusações ocorreram depois que o presidente da Mesa Diretora colocou em votação a prorrogação do tempo de sessão, seis minutos antes do seu término, e foi rejeitada pelos vereadores presentes.
Apenas 11 vereadores estavam em plenário e dois - Rubens Canizares (PHS) e Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) - votaram contra a prorrogação. Praticamente a metade dos 21 vereadores estava fora do plenário. A líder de governo ficou inconformada. ''É lamentável o que aconteceu aqui. O retorno da sessão pela presidência poderia ter sido feito com mais vagar, nominando os vereadores para que o plenário voltasse à ordem'', reclamou Márcia.
Em contrapartida, o presidente da Mesa Diretora disse que ''o projeto, com certeza, não foi votado por causa da líder do governo''. Segundo Bonilha, a condução foi correta e o Regimento Interno não o obriga a chamar os vereadores um a um. ''Não sou líder do prefeito'', retribuiu ele.
Restam apenas duas sessões ordinárias antes do recesso legislativo de julho. A preocupação da líder de governo é que o projeto de lei que transfere créditos para a CMTU - tramitando na Câmara há três meses e meio - não seja votado neste período legislativo. ''O Executivo pode requerer sessão extraordinária'', concluiu o presidente da Câmara.

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