Marcha testa hoje governo e oposição
Silvio Bressan
Agência Estado
De Brasília
Com a expectativa da chegada de 1.700 ônibus e da participação de 70 mil pessoas e 5.500 policiais, a Marcha dos 100 Mil, marcada para hoje em Brasília, promete ser o maior teste até agora para a oposição e o governo Fernando Henrique Cardoso. Enquanto os oposicionistas jogam sua grande cartada, apoiados na baixa popularidade do presidente, o governo aposta na divisão do movimento e na impopularidade da tese de renúncia ou do impeachment. Isso ficou claro numa conversa ontem entre o ministro da Justiça, José Carlos Dias, e o presidente do PT, José Dirceu, no gabinete do ministério. Será um teste para os dois lados, afirmou o ministro. Mas a responsabilidade maior pelo controle da manifestação será da oposição.
Embora ninguém admita publicamente, há um grande receio do governo e da oposição por um quebra-quebra ou qualquer confusão de consequências imprevisíveis. Para tentar evitar esse clima, o Fórum de Luta, Trabalho, Terra e Cidadania, que organiza a marcha junto com a frente dos partidos de oposição (PT, PDT, PSB, PCB e PC do B), fará barreiras na entrada da cidade e distribuirá folhetos para orientar os manifestantes. Vai sair tudo na mais perfeita ordem, aposta o presidente da CUT-DF, José Zunga Alves de Lima.
A concentração está marcada para as 9 horas, em frente à Catedral, na Esplanada dos Ministérios. Dali, às 10 horas, os manifestantes seguem até em frente ao Congresso, onde um palanque foi armado para os discursos. O ponto alto da manifestação, porém, deverá acontecer às 11 horas, quando uma comissão de 60 pessoas entrará no Congresso para entregar dois abaixo-assinados ao presidente da Câmara, Michel Temer. Um deles pede a abertura de processo contra o presidente Fernando Henrique Cardoso pelas privatizações e outro uma CPI para investigar a privatização da Telebrás.
Durante o ato, alguns dos principais representantes dos partidos de oposição, como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Miguel Arraes (PSB) e João Amazonas (PC do B) deverão se revezar nos discursos. Durante essas manifestações, deverá ficar clara a divergência de opiniões sobre os rumos da esquerda. Enquanto o PT e o PSB investem na pressão de uma CPI e no desgaste do governo, o PDT e os partidos comunistas pregam uma campanha pela renúncia do presidente.
Para o cientista político Sérgio Abranches, o primeiro grupo só tem a perder com a Marcha. Essa manifestação só vai explicitar as divergências da esquerda e mostrar que ela não tem um projeto para o País, avalia Abranches. Na sua opinião, os setores moderados, que queriam preencher o espaço de centro-esquerda, tornando-se uma opção para 2002, foram levados de roldão pelos mais radicais.
Até as 18h30 de ontem, 32 ônibus já haviam chegado à capital federal. Pela expectativa dos organizadores, devem chegar 1.725 ônibus com uma média de 40 pessoas por veículo. No total seriam 69 mil pessoas, mais 22 mil que moram em Brasília, somando 91 mil pessoas. Até as 18 horas, já havia 20 ônibus estacionados na Esplanada.Concentração está marcada para as 9 horas, na Esplanada dos Ministérios, de onde os manifestantes seguirão para a frente do Congresso
Antonio Scorza/France PresseUNIDOSEstudantes, funcionários públicos e sindicalistas já demonstravam ontem disposição para se juntar aos militantes da esquerda para a marcha de hoje





