Marcha reúne milhares em Porto Alegre
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sábado, 30 de novembro de 1996
Agência Estado 
PORTO ALEGRE - Um protesto contra a reeleição, o desemprego e as políticas neoliberais reuniu reuniu ontem milhares de trabalhadores - dois mil, segundo a Polícia Militar, e sete mil, de acordo com os organizadores - em Porto Alegre (RS). Organizada pelo Movimento Unitário dos Trabalhadores Gaúchos, a Marcha Sobre Porto Alegre foi a primeira manifestação popular de rua contra a reeleição, disse o presidente da CUT no Estado, Jairo Carneiro.
Os manifestantes, de 48 municípios do interior e região metropolitana, chegaram à cidade em 90 ônibus. A passeata começou em frente ao Monumento ao Laçador, numa das entradas da cidade, às 14h, e chegou ao Largo Glênio Peres, no Centro, por volta das 16 horas. Em ato público no local foi aprovado um documento explicando as causas e reivindicações da Marcha.
Entre outras coisas, o movimento pede jornada de 40 horas semanais, isenção temporária de taxas de água e luz para os desempregados, seguro-desemprego por um ano, o cumprimento da Convenção 158 da OIT, reforma agrária, política agrícola e crédito subsidiado para pequenos produtores, além da punição dos responsáveis pelos massacres de trabalhadores rurais em Corumbiara (RO) e Eldorado dos Carajás (PA).
O projeto neoliberal, que domina o cenário mundial, quer a reeleição de FHC para aprofundar seu domínio nefasto até completar o desmantelamento do Estado, controlar política, econômica e ideologicamente a nação, diz o manifesto aprovado.
De acordo com o presidente da CUT/RS, para reduzir o custo Brasil estão tirando direitos dos trabalhadores. Os trabalhores também deram um abraço no prédio da Companhia Rio Grandense de Telecomunicações, protestando contra a privatização da estatal. A caminhada prosseguiu até a Praça da Matriz, onde ficam o Palácio Piratini e a Assembléia Legislativa.
Na Assembléia o Manifesto da Marcha Sobre Porto Alegre foi entregue a deputados de partidos de oposição (PDT, PT, PSB e PC do B) e ao secretário substituto da Casa Civil, Gilberto Mussi. O governador Antônio Britto (PMDB) não respondeu a um pedido de audiência encaminhado pelo Movimento há uma semana.


