A marcha da oposição contra a corrupção e o apagão, realizada ontem em Brasília, deu lugar ontem a uma batalha entre manifestantes e soldados da Polícia Militar em frente ao Congresso Nacional. O confronto, que durou cerca de uma hora, deixou pelo menos cinco soldados da PM e três manifestantes feridos.
Por causa da pancadaria, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, teve de fazer um rápido discurso e deixou o palanque, montado na Esplanada dos Ministérios, em meio à gritaria e à fumaça de bombas de gás lacrimogêneo.
‘‘Esse é um ato pacífico e uma demonstração de que a população quer acabar com a corrupção institucionalizada no País’’, disse Lula em discurso, enquanto manifestantes e PMs protagonizavam a batalha atrás do palanque armado na Esplanada dos Ministérios. Em seguida, Lula criticou a atitude da PM.
O ato, que reuniu cerca de 30 mil manifestantes, segundo números da PM, e 70 mil, de acordo com integrantes da oposição, teve de ser encerrada meia hora mais cedo pelos organizadores, na tentativa de acabar com o clima de guerra. Mas a estratégia não deu certo. Por mais de 30 minutos, PMs e manifestantes se enfrentaram.
A PM teve de usar balas de borracha e pôs um brucutu (veículo blindado usado pela política para dispersar manifestações) em operação para jogar jatos d’água em direção aos manifestantes, reagindo à provocação comandada por um grupo de punks e anarquistas, que atiraram paus, pedras e garrafas contra os soldados. O aparato de segurança reuniu 4,2 mil homens da PM, entre soldados da Cavalaria e do Batalhão de Choque.
Punks tentaram invadir o Palácio do Itamaraty, o que levou o Batalhão de Choque a formar um cordão de isolamento para impedir a ocupação do prédio. Ao tentar furar o bloqueio da PM, o deputado Babá (PT-PA) envolveu-se num empurra-empurra com policiais militares, que usaram cassetete para barrar o parlamentar. Entre os feridos, estavam o jornalista Joedson Alves, fotógrafo de ‘‘O Estado de S.Paulo’’ e da Agência Estado, e o estudante Fábio Silva dos Santos, do Rio, que saiu do ato com uma costela quebrada, depois de ter recebido um golpe de espada de um PM e de ser atropelado por um cavalo.
Ao fim da batalha, o cenário era semelhante a uma praça de guerra: pedras, garrafas quebradas, pedaços de paus espalhados no gramado em frente ao Congresso e parte da calçada depredada. O coronel Eloísio Costa, que comandou a operação, lamentou a confusão e responsabilizou um grupo de punks pelo ocorrido. ‘‘Mas não dava para a PM ficar levando pedrada’’, declarou o coronel, ao justificar o comportamento da polícia. Segundo a oposição, o último ato onde foi registrado um embate com a PM em Brasília ocorreu em 1997.

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