Pelo acordo, Marcelo Odebrecht ficará 2 anos e meio em prisão domiciliar com direito a duas saídas por ano com autorização da Justiça
Pelo acordo, Marcelo Odebrecht ficará 2 anos e meio em prisão domiciliar com direito a duas saídas por ano com autorização da Justiça | Foto: Miguel Schincariol/AFP



São Paulo e Curitiba - O empresário Marcelo Odebrecht cumpre desde a tarde dessa terça-feira (19) prisão domiciliar em São Paulo. O empreiteiro estava preso há 2 anos e meio na capital paranaense em razão da condenação a 19 anos e 4 meses de prisão. No entanto, por causa de sua colaboração com a Justiça, cumpre 10 anos por lavagem de dinheiro e associação criminosa no âmbito da Operação Lava Jato.

Ele deixou a prisão da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba (PR) por volta das dez da manhã dessa terça-feira (19). Ele saiu do local de carro, em direção à Justiça Federal, onde colocou a tornozeleira eletrônica. Ele terá de pagar R$ 149 pelo aluguel do equipamento de monitoramento eletrônica. O carro da Polícia Federal com o empresário entrou rapidamente na Justiça.

Do outro lado da rua, a bibliotecária Ana Lydia Bulcão, 53, gritava: "Sem vergonha, vagabundo, ladrão, bandido". Apoiadora da Operação Lava Jato e vizinha da sede da Justiça, ela dizia que tem direito de protestar porque paga impostos e está indignada com a situação do país. Não havia outros manifestantes no local.

O policial Newton Ishii, conhecido como "Japonês da Federal", fez parte da escolta de Odebrecht. Uma equipe de segurança do próprio empresário também acompanhou a soltura. Ele estava com roupa simples (camisa, paletó e calça jeans) e aparentava estar feliz, segundo policiais que acompanharam o deslocamento.

O executivo decolou por volta das 13h do aeroporto do Bacacheri, em um táxi aéreo da Icon Aviation, prefixo PR-EAK, com destino a São Paulo e chegou às 15h56 no condomínio Jardim Pignatari, no Morumbi.

ACORDO
Pelo acordo, Marcelo Odebrecht ficará 2 anos e meio em prisão domiciliar com direito a duas saídas por ano com autorização da Justiça. Enquanto estiver em casa, o empresário poderá receber 15 pessoas previamente cadastradas e autorizadas no processo. Além deles, parentes em até 4º grau (primos e tios-avôs) poderão visitá-lo.

O empreiteiro ficará 10 anos preso. Além dos 2 anos e meio de regime fechado já cumprido e os outros 2 anos e meio de regime domiciliar fechado, o empresário terá que cumprir ainda 5 anos de pena - 2 anos e meio em regime diferenciado, com obrigação de recolhimento noturno e nos fim de semanas e feriados, e 2 anos e meio de aberto, com a obrigação de comunicação à Justiça.

Depois de 913 dias de cárcere, a saída do empresário ocorre em um momento em que a Odebrecht busca um substituto para o presidente do conselho de administração, Emílio Odebrecht, pai de Marcelo. Quando a Polícia Federal prendeu o empreiteiro em 19 de junho de 2015, a empreiteira baiana acabara de ultrapassar o faturamento de R$ 100 bilhões pela primeira vez em sua história. O grupo tinha 170 mil funcionários espalhados por quase 30 países.

A saída de Marcelo da prisão tem gerado ruídos na família e na empresa. O empresário está proibido de ocupar cargos na companhia até 2025, quando terminará sua pena. Apesar da restrição, quem conhece o executivo classifica seu comportamento como imprevisível. Há temor de que ele constranja antigos aliados a informá-lo sobre o dia a dia do grupo.

ÚLTIMAS HORAS
As últimas 24 horas de Marcelo na carceragem da PF em Curitiba permaneceram a mesma dos 30 meses de prisão. O empresário acordou um pouco antes do sol nascer, fez exercícios físicos e tomou café da manhã preparado em uma cafeteira localizada no corredor próximo a cela em que o empresário divide com o lobista Adir Assad, também acusado de fazer parte do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

DEFESA
Em nota, a empresa Odebrecht manifestou solidariedade ao empreiteiro. "A Odebrecht manifesta solidariedade com Marcelo, esposa e filhas por seu retorno ao convívio familiar. Marcelo conta com o reconhecimento da empresa por enfrentar as adversidades atuais com coragem e espírito de colaboração", diz o texto.