Curitiba – O presidente afastado da empreiteira Norberto Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht descartou negociar ou fechar acordo de colaboração premiada nas investigações da Operação Lava Jato. "Não tenho o que dedurar. Para alguém dedurar, tem que ter o que dedurar, e acho que não é o caso aqui", disse ele, em resposta à questão feita pelo deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) se haveria alguma intenção em colaborar com os investigadores. O empresário foi o único a falar ontem no segundo dia de audiências da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras em Curitiba. Os outros executivos da Odebrecht: Márcio Faria da Silva, Rogério Santos de Araújo; Alexandrino Allencar e César Ramos Rocha ficaram em silêncio, assim como o ex-funcionário da Petrobras Celso Araripe de Oliveira.
Para reforçar sua postura contrária aos delatores, Marcelo ainda citou um exemplo familiar: disse que quando suas filhas brigam, ele fica mais bravo com aquela que acaba dedurando o motivo da briga do que com a outra, que fez algo. O empresário também informou que foi ouvido somente uma vez na Polícia Federal (PF) durante os mais de 90 dias em que está detido. Nessa única oportunidade, lembrou ele, teria sido lhe oferecida a oportunidade de negociar um acordo de colaboração premiada. Apesar disso, ele afirmou que tal decisão não faz parte de "seus valores".
Odebrecht está preso no Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) junto com outros executivos, ex-diretores da Petrobras e políticos que não possuem foro privilegiado. Apesar de responder a alguns questionamentos, ele informou, por diversas vezes, que não poderia responder a nenhuma pergunta diretamente ligada ao processo que está em trâmite na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. "Gostaria de me defender publicamente, mas infelizmente estou impedido de falar qualquer coisa relacionada à ação penal", ressaltou.
Marcelo ainda ressaltou que sua defesa não teve acesso a todas as acusações que fazem parte das investigações, e que acredita que tanto ele, quanto sua empresa, vão passar por essa crise. "Sairemos dessa mais fortalecidos e espero continuar sendo, como outras empresas que levam o nome do Brasil, um orgulho." Ele falou por cerca de uma hora com os deputados que, claramente, mudaram o tom das perguntas em comparação com os demais investigados. O empresário também não detalhou qual é a sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apenas disse que é "natural e bem provável" que tenha conversado com o ex-presidente sobre a atuação de sua empresa.

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