Curitiba - Pelos próximos oito meses o deputado federal Marcelo Almeida (PMDB) coordenará a bancada do Paraná em Brasília. Os políticos decidiram isto na terça-feira passada, durante uma reunião que começou com dois candidatos à vaga e terminou com um acordo para este ano e 2014. Assis do Couto (PT) abriu mão do cargo agora para ocupar a liderança da bancada no ano que vem. Ambos sucederão Osmar Serraglio (PMDB), que ocupava a função até agora.
''Ele foi muito generoso'', declarou Almeida, elogiando o fato de Assis do Couto ter recuado, permitindo que ele fosse eleito por unanimidade para o posto. ''O objetivo é dialogar com os governos federal e estadual. Para isso vai ajudar o fato de eu ter um bom relacionamento com a Casa Civil da Dilma (ocupada pela petista Gleisi Hoffmann) e com a Casa Civil do Beto (nas mãos do deputado federal Reinhold Stephanes, de quem Almeida é suplente)'', explica o político. ''Vai ser como unir palmeirenses e corinthianos, mas eu sei 'varrer para dentro', entender o que inquieta as pessoas'', diz.
Almeida diz estar disposto a liderar a bancada em grandes temas, como a distribuição dos royalties do petróleo e a ampliação do mar territorial do Paraná. O deputado federal, contudo, guarda na manga uma estratégia para resolver o gargalo que ''impede o Estado de receber R$ 3 bilhões em projetos estruturantes''. ''Faz dez anos que o Paraná beira o limite de gastos com pessoal (49% da receita corrente líquida), mas é que a administração mantém uma grande rede de universidades estaduais. Tem que tirar isso da conta'', coloca o político.
Para o deputado federal, a saída é federalizar as universidades ou ''achar um jeito'' para retirar essa despesa do cálculo estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ''Elas representam 10% do gasto. Se não conseguir isso, o Paraná vai ficar mais dez anos enlatado sem dinheiro'', diz Marcelo Almeida.
Antes de por em prática seu projeto, ele terá que lidar com problemas no relacionamento da bancada. Seu antecessor, Osmar Serraglio (PMDB), e Zeca Dirceu (PT) estão em rota de colisão. Às claras, os dois se estranham, mas nos bastidores mais deputados federais reclamam do petista. ''Meu carro não tem retrovisor. Eu sei olhar para a frente'', coloca Almeida, dizendo que quer apaziguar os ânimos.
Parte da ''generosidade'' da bancada com a sua candidatura foi conquistada quando Almeida declarou que não seria candidato à reeleição em 2014. Estima-se que em abril do ano que vem Reinhold Stephanes deixe o governo do Paraná e reassuma seu posto na Câmara Federal, devolvendo o peemedebista à condição de suplente da coligação. ''Como o Marcelo não vai estar no Congresso o ano que vem, ele pode coordenar em 2013'', declarou Assis do Couto. ''Tenho quase certeza que não serei candidato'', driblou Almeida, que vê nos próximos meses uma ''oportunidade brilhante'' para a sua carreira política. ''A bancada não tem regimento, é preciso ser líder e manter o diálogo institucional'', assinala.

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