Marcão Kareca busca conselho de servidores e ex-secretários
Em entrevista exclusiva à FOLHA, o novo secretário detalha seus planos para a pasta de Cultura, Lazer e Entretenimento, e os desafios futuros
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de janeiro de 2025
Em entrevista exclusiva à FOLHA, o novo secretário detalha seus planos para a pasta de Cultura, Lazer e Entretenimento, e os desafios futuros
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

O novo secretário de Cultura, Lazer e Entretenimento de Londrina, o comunicador e empresário Marcos Castri, o Marcão Kareca, chegou para sua entrevista nesta sexta-feira (17), na FOLHA, acompanhado dos servidores Marcos Parisotto, Solange Cristina Batigliana e Wagner Watanabe, que têm deixado Castri a par da situação da pasta. Ele ressaltou várias vezes durante a entrevista que é um gestor e que buscará o conselho e a ajuda de pessoas do setor cultural para conduzir as políticas da área.
O primeiro desafio é justamente a dificuldade orçamentária. Castri diz que são necessários R$ 50 milhões, sendo que, hoje, a pasta possui R$ 17 milhões - e R$ 5,3 milhões pertencem ao Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), responsável por tirar do papel inúmeros projetos culturais todos os anos. Há também a falta de mão de obra - são cerca de 50 servidores e o cenário ideal seriam pelo menos 80.
Castri avalia que a pasta andava bem até a pandemia da Covid-19, que eclodiu em 2020. “O mundo parou na Covid-19, todas as verbas envolvidas foram para a saúde - e tinham que ir para a saúde. Só que depois de alguns anos se normalizou e a Secretaria de Cultura foi esquecida. Está na hora de a gente fazer o planejamento este ano para que, em 2026, tenhamos um orçamento planejado e maior”, projeta o secretário, que fala em reviver o “calendário maravilhoso” de eventos que a cidade já teve.
Um dos caminhos para retomar essas ações são as leis de incentivo à cultura - como a Aldir Blanc e Paulo Gustavo -, parcerias público-privadas e a possível remissão fiscal de empresas. São medidas que podem aumentar a fatia do setor para o próximo ano. Para reforçar a equipe de servidores, uma saída são as contratações temporárias e possíveis remanejamentos.
A condução será baseada no diálogo com os servidores e observando a pasta como uma empresa - outra afirmação frequente durante a entrevista. "Se a empresa está legal, vai bem. Eles precisam ser valorizados como servidores", adiantando que vai reunir os produtores culturais e os conselhos da cidade. "Preciso ouvir muito."
O titular da pasta, contudo, ressalta que é necessário levar “cultura para todos”. “Será que o distrito tem? Será que o bairro tem? Será que todas as vilas são contempladas? Ou, infelizmente, o orçamento é tão pequeno que aquele produtor cultural não consegue entregar para a sociedade aquilo que a sociedade gostaria de ver?”, questiona.
REVITALIZAÇÃO DO CENTRO
O anúncio do secretário ocorreu no Teatro Zaqueu de Melo, equipamento cultural que está fechado desde 2017, mas que abriu as portas - ainda que de forma simbólica - para lançar uma campanha de revitalização da área central.
Castri afirma que o prefeito Tiago Amaral (PSD) “é apaixonado pelo centro” de Londrina e que a região possui as melhores ferramentas culturais, sociais e de turismo. Ele cita a força-tarefa da pasta que, em cerca de sete horas, conseguiu organizar o teatro para receber o evento. “Todas as secretarias ficaram juntas. Esse início de processo administrativo do Tiago Amaral… ele está fazendo primeiro pelo centro. Vamos viver o centro. É como uma cebola, depois vai para os bairros”, pontua.
O secretário ressalta, inclusive, que as ações da Prefeitura não buscam uma “higienização” da área central, mas uma ocupação “harmônica, ordeira, com saúde e vigilância sanitária”, buscando saber quem está em situação de rua e quem precisa de atendimentos específicos. E, claro, permitir que o londrinense frequente o centro.
“Precisamos ocupar com a cultura. E o que é cultura? Pode vir criança da educação, pode vir terceira idade, pode vir mambembe, pode vir esporte. A cultura, na minha opinião, é o todo. É quando você traz a sociedade civil organizada para um todo, para ter desde o piano até a rima”, projeta.
Questionado sobre qual sua visão sobre lazer e entretenimento, termos que foram agregados à tradicional Secretaria de Cultura, que possui quase 33 anos, Castri entende que é necessária uma caminhada conjunta.
“O lazer é você fazer com que aquela pessoa tenha muito mais do que apenas o acesso à cultura. Ela tem que ter o acesso a uma ginástica, a uma corrida, a um alongamento”, citando outras atividades, desde “andar de jetski no lago” até fotografar a natureza. Para ele, é necessário descobrir os lazeres de Londrina - e garantiu que vai em busca do entretenimento da cidade. "Será que são os pedalinhos? Será que são as corridas campestres? As quermesses? Os clubes sociais interligados?"
As perguntas vêm no sentido, segundo o secretário, de descobrir quais são "as culturas" de Londrina, povoada por etnias tão diversas. "Temos um sem-número de imigrantes na cidade com suas culturas, venezuelanos, haitianos... cultura é vida e cadê o festival dessas tradições todas?", continua.
TEATROS
Uma das promessas do prefeito Tiago Amaral é, enfim, reabrir o Teatro Zaqueu de Melo. Durante o evento na quinta, ele completou o letreiro da fachada, que estava sem a letra “R” em “Teatro”. Um dos últimos movimentos foi a doação e adequação do projeto de revitalização, sendo que agora faltam estudos complementares.
“Tem os rigores da lei, com o Corpo de Bombeiros, que vão ser cumpridos. E você não pode chegar metendo martelo em tudo, porque é um bem tombado”, diz Castri, que promete que o processo será “o mais célere possível”.
Outro desafio é finalizar a obra do Teatro Municipal, parada há mais de uma década. A Prefeitura tem um montante de R$ 1 milhão - boa parte oriunda de uma emenda da Bancada Paranaense, indicada pela deputada federal Luisa Canziani (PSD), de R$ 800 mil - que servirá para atualizar o projeto arquitetônico. O cenário, segundo o secretário, “não é tão desesperador assim”.
FESTIVAIS E CARNAVAL
Castri adianta que está juntando informações das ações e atividades carnavalescas para este ano. Algumas são da iniciativa privada - como os clubes, por exemplo -, mas ele ressalta que está pensando no “grande Carnaval” de rua. A realização do evento nos últimos anos gerou polêmica em Londrina, mas o intuito é tentar chegar a um consenso.
“Precisamos escolher o local certo, a forma certa junto com o Corpo de Bombeiros, com a Guarda Municipal, com as polícias e os meios competentes, para a gente fazer uma festa ordeira”, aponta.
Por enquanto, o entendimento é que o evento não deverá ocorrer no Autódromo Internacional Ayrton Senna, como já chegou a ser sugerido. Castri ainda pensa em uma pesquisa junto ao londrinense para encontrar o melhor local e o melhor formato.
Castri também destaca a realização do Filo (Festival Internacional de Teatro), que terá sua segunda etapa da edição de 2024 entre os dias 6 e 16 de fevereiro, com recursos do Promic, e que terá a edição 2025 entre os dias 9 e 28 de junho. A fase atual é de captação de recursos.
O secretário diz que Londrina “já foi uma Seattle, cheia de bandas”, se referindo à cidade norte-americano onde nasceu o grunge. “A gente poderia ter esse incentivo novamente”, imaginando um festival de bandas.
PROMIC
“O Promic é inegociável”, reforçou o secretário. A fala seguiu no mesmo sentido da sua entrevista na quinta-feira à noite. Ele projeta um aumento da fatia de recursos do programa e entregar “verdadeiramente as melhores atrações para a população”.
“Vão ser feitos formatos de verificações, de entrega de todos esses projetos para que eles possam beneficiar não só as atrações mais conhecidas, mas também valorizar os artistas. O Promic é uma das leis mais interessantes, tanto que é um exemplo nacional. Mas ela tem que beneficiar também o distrito, também a periferia”, garantindo que vai assistir a todos os espetáculos do programa. “Eu quero saber a qualidade da entrega, a diversidade, a capilaridade de todos. Ele precisa estar verdadeiramente feito da forma como está no edital.”
EX-SECRETÁRIOS
Castri também disse que terá uma espécie de conselho com quem já passou pela secretaria - alguns nomes são Bernardo Pelegrini, Leonardo Ramos, Valdir Grandini, Aldo Morais e Caio Cesaro.
“A ideia é procurá-los e trazê-los aqui para batermos um papo de amigos, que eu conheço há muitos anos para descobrir o que foi que deu certo para repetir. E o que não deu, para a gente entender o motivo”, pontua.
"Agora, é só trabalhar. É viajar atrás de dinheiro", resume.


