Brasília - Vice-líder do governo, deputado Silvio Costa (PTB-PE) afirmou na manhã de ontem que o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), se comprometeu a dar seguimento ao pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP). Segundo Costa, Maranhão disse que, até segunda-feira, enviará um ofício aos líderes partidários para eles indicarem os representes da Comissão especial que vai analisar o eventual impedimento de Temer. "Eduardo Cunha (presidente afastado) engavetou isso, obviamente. Mas, agora, Waldir me jurou de pé junto que vai cumprir a Constituição. Se os líderes não enviarem os nomes, cabe a nós recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal)", afirmou Silvio Costa.

No primeiro momento, Cunha argumentou que não havia indícios de crimes de responsabilidade cometidos pelo vice-presidente e arquivou a solicitação feita pelo advogado Mariel Márley Marra. O autor da peça contestou a decisão de Cunha no Supremo e, no início do mês passado, o ministro Marco Aurélio Mello decidiu que a Câmara tinha obrigação de formar a comissão especial e dar seguimento à matéria. Até o momento, apenas 14 membros do colegiado foram indicados por seus partidos. São necessários 33 nomes para que a Comissão seja instalada.

Costa disse ainda que Waldir Maranhão prometeu também se debruçar sobre o pedido de nulidade da sessão em que a Câmara aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, no dia 17 de abril. "E eu disse a ele (Maranhão) que iria à imprensa contar a nossa conversa. Ele não vai afinar comigo", acredita Silvio Costa.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa do presidente interino para ouvi-lo a respeito das declarações de Costa, mas não obteve resposta.

'SURPREENDER'
Em encontro com alguns deputados na manhã de ontem o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), voltou a demonstrar disposição em seguir no cargo. Diante do número significativo de parlamentares, principalmente da oposição, que dizem que o deputado não tem condições de presidir a Casa por sua inabilidade política, Maranhão mandou um recado: "Vocês vão se surpreender comigo". Um grupo de parlamentares próximos a Cunha elabora estratégias para tirar Maranhão do cargo e desse modo eleger um deputado alinhado ao peemedebista na presidência da Câmara. Segundo aliados, o peemedebista disse que "fará o possível" para encurtar a passagem de Maranhão na presidência.

CASSAÇÃO DE CUNHA
Aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vão pedir na próxima reunião do Conselho de Ética, na terça-feira, o "trancamento" do processo de cassação do peemedebista sob o argumento de que ele está afastado do mandato e da presidência da Câmara, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal na última quinta-feira. Relator do caso no colegiado, Marcos Rogério (DEM-RO) diz, porém, que já recebeu parecer da consultoria da Câmara de que o o processo continua independentemente do afastamento de Cunha. De acordo com o relator, a situação é análoga à renúncia ao mandato, que não tem poder de sustar um processo de cassação já aberto.
Marcos Rogério diz que a fase de instrução do processo termina no dia 19 e que ele apresentará seu relatório final ainda em maio. Segundo seus cálculos, o caso será submetido à decisão do plenário da Câmara por volta do dia 22 de junho. Para que Cunha tenha o mandato cassado, é preciso o voto de pelo menos 257 dos seus 512 colegas. A votação é aberta. Se isso ocorrer, o cargo de presidente da Câmara será declarado vago e novas eleições para o comando da Casa deverão ser realizadas em até cinco sessões. (Colaborou Daiene Cardoso/Agência Estado)

mockup