Brasília - Segundo colocado na eleição de 2006 na eleição para o governo da Paraíba, o senador José Maranhão (PMDB) disse ontem que assumirá o lugar do governador Cássio Cunha Lima (PSDB) logo que for publicado o acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, na noite de quinta-feira, por unanimidade, cassou seu mandato por compra de votos. Avalia que isso ocorrerá em ‘‘sete dias’’.
  Cássio já anunciou em João Pessoa que vai recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mas Maranhão afirma que a iniciativa não suspenderá os efeitos da decisão da Justiça Eleitoral. Ele governará o Estado pela terceira vez. Na outra vez, ficou no cargo de 1995 a 2002, quando substituiu o governador Antonio Mariz, que morreu no início do mandato, e se elegeu por mais um período. Seu lugar no Senado será ocupado pelo empresário do ramo de comunicação Roberto Cavalcanti.
  No ano passado, quando teve o nome incluído na relação de candidatos ao lugar de Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência do Senado, Maranhão foi alvo de denúncias quanto à suspeita de enriquecimento ilícito. A Associação Nacional de Defesa da Administração Pública encaminhou ao Ministério Público denúncia de que seu patrimônio teria aumentado em 580% entre 1988 e 2006. O crescimento teria sido propiciado, entre outras coisas, pela aquisição de um rebanho de mais de 28 mil cabeças de gado, que só anos depois foi declarado à Receita Federal.
  O senador disse que a denúncia é ‘‘falsa e caluniosa’’. ‘‘Todo o meu patrimônio está declarado, não em uma, mas em todas as declarações do Imposto de Renda que eu fiz e aqueles dados estão bem demonstrados na declaração.’’
‘‘Equívoco’’
  Cunha Lima, disse ontem, em João Pessoa, que foi vítima de ‘‘um profundo equívoco de decisão judicial’’ e que vai recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).
  Ele afirmou que foi condenado por um crime que não cometeu, mas que a história, segundo o governador cassado, ‘‘vai reparar tudo isso’’. ‘‘2008 ficará na história como o ano que teve o maior equívoco judicial, porque fui condenado por aquilo que não fiz’’, declarou.
  Cunha Lima já teve o mandato cassado duas vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE). Na decisão confirmada pelo TSE, ele é acusado de ter distribuído 35 mil cheques supostamente para atender a pessoas carentes. Mas o Ministério Público descobriu que entre os favorecidos estavam doadores de sua campanha, que receberam de volta o mesmo valor doado. Um deles, por exemplo, recebeu um cheque de R$ 50 mil.

mockup