Manutenção de Álvares ficou insustentável, garante FHC
Agência Estado
De Brasília
Num café da manhã, ontem, com os comandantes da Marinha, almirante Sérgio Chagastelles, do Exército, general Gleuber Vieira, e da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista, o presidente Fernando Henrique Cardoso explicou a eles que o ex-ministro da Defesa, Élcio Álvares, não foi demitido por questões institucionais ou porque tivesse dúvidas quanto à seriedade dele, mas porque a permanência do então ministro no cargo se tornou politicamente insustentável.
O presidente falou ainda sobre o novo escolhido, o advogado-geral da União, Geraldo Magela Quintão, um homem que considera competente e muito leal. Por fim, pediu apoio dos comandantes para continuar tornando viável o projeto do Ministério da Defesa.
Os comandantes gostaram de ter sido chamados pelo presidente porque entenderam que foi um gesto de cordialidade e de respeito. Afinal, ele é o comandante supremo das Forças Armadas. FHC mais falou do que ouviu, mas os comandantes expressaram as dificuldades orçamentárias que estão enfrentando e a necessidade de reaparelhar as forças.
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, que não participou do café da manhã, elogiou a indicação de Quintão, ao lembrar que ele possui um perfil adequado para o posto porque tem uma noção de Estado muito acentuada. É um cargo que tem atribuições bem definidas em lei, mas ainda necessita de um burilamento, declarou ele.
Embora os partidos políticos sejam importantes para dar projeção a uma pessoa, trata-se de um cargo muito mais voltado para as ações do Estado do que de governo. Na opinião de Alberto Cardoso, deste ponto de vista, o fato de ele não pertencer a um partido político fortalece a posição de ministro da Defesa. O novo ministro deve entender a alma militar e saber que militar gosta de ser chefiado, completou.
Oficiais-generais consultados pela reportagem disseram que o melhor desse episódio foi o fato de FHC ter indicado o sucessor de Álvares ainda anteontem. Eles estavam preocupados com o longo desgaste político a que Álvares estava sendo submetido e com o fato de as forças estarem envolvidas nas intrigas políticas. Por isso mesmo, entenderam a demissão, e só temiam que a escolha do substituto se arrastasse por muitos dias.
Os militares ressaltam que não cabe a eles julgar ações do presidente ou a escolha de nomes. Por se considerarem democratas e legalistas, avisam sempre que o comandante supremo é o presidente da República. Para ele, o que importa é que o ministro vista a camisa das Forças Armadas, brigando por verbas para reequipar os quartéis.
Álvares não foi ontem ao Ministério da Defesa. Ele só volta ao prédio para a solenidade de transmissão do cargo. Passou o dia preparando o discurso de despedida e conversou com Quintão.





