São Paulo – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar suspendendo a quebra do sigilo bancário da Lavicen Construções e Locação de Máquinas e Terraplanagem, empresa investigada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo e acusada de servir de fachada para o desvio de verbas durante a construção do Túnel Ayrton Senna, na gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB).
A liminar foi concedida no final de dezembro pelo ministro Gilson Dipp, mas não foi publicada por causa do recesso no STJ. O promotor que investiga a Lavicen em São Paulo, Marcelo Mendroni, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), só ontem foi informado da suspensão da quebra do sigilo.
Subcontratada da Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) para trabalhar na construção do Túnel Ayrton Senna, a empresa, entre 1996 e 97, recebeu mais de R$ 20 milhões por obras não executadas, segundo suspeita do MPE.
Um dos sócios, Lavino Kill, é um sapateiro semi-analfabeto de Colombo, no Paraná, que teve a asssinatura falsificada no contrato social, não sabia da existência da Lavicen. O outro sócio, Joel Gonçalves Pereira, é processado à revelia, em Curitiba, por estelionato e falsidade ideológica.
O pedido de suspensão da quebra do sigilo bancário da Lavicen faz parte de uma ofensiva coordenada com a CBPO, que obteve liminar semelhante, concedida pelo mesmo ministro, no início de dezembro. A quebra de sigilo das duas empresas havia sido decretada, em novembro, pelo juiz Maurício Lemos Porto Alves, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), por solicitação do Gaeco.

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