Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, continuará no comando da economia no governo Dilma Rousseff, que toma posse no próximo dia 1º de janeiro A decisão ainda não oficializada pela presidente eleita, mas o convite foi feito durante reunião de quase duas horas que os dois mantiveram ontem na Granja do Torto Em conversas reservadas, ele é chamado por Dilma de ''Guidinho''
A rigor, a reunião de ontem já serviu para discutir assuntos da administração econômica e tratar de problemas relacionados com o Orçamento - que está em processo de debate no Congresso Na prática, como antecipou o jornal O Estado de S Paulo na edição de sexta-feira, quando os dois viajaram para a Cúpula do G-20, em Seul, na semana passada, a decisão de manter Mantega no comando da Fazenda já estava tomada
Apesar de a manutenção de Mantega no cargo atender a uma sugestão feita de maneira explícita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o perfil do ministro atende ao interesse de Dilma em reforçar no seu governo o que, nos debates entre economistas, costuma ser rotulado de ''postura desenvolvimentista'' Em síntese, isso significa que o rigor fiscal não pode comprometer o crescimento econômico A ideia é não atentar contra controle da inflação, mas não transformar os apertos fiscais em solução para todos os problemas da administração econômica
No bastidor, ao dizer com todas as letras que os países emergentes estavam diante de uma ''guerra cambial'' travada entre Estados Unidos e China, Mantega entrou como líder no debate econômico mundial e agradou a Lula e a Dilma A ponto de o presidente, na cúpula do G-20, em mais um sinal da permanência antecipada no cargo, ter agendado tarefas para Mantega para além do seu governo - como a próxima reunião de ministros de Finanças do G-20, que acontecerá no próximo ano, sob a gestão de Dilma Rousseff
Apesar da decisão sobre Mantega, Dilma não fará o anúncio oficial até que defina o nome para a Presidência do Banco Central - o que deve ocorrer nos próximos dias A ideia é anunciar em bloco a equipe econômica, devendo completar todo o ministério até o diz 15 de dezembro Mantega pode bater recorde de permanência de Pedro Malan, ministro da Fazenda nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) Como ele assumiu em março de 2006, ao final do mandato de Dilma (2011-2014), Mantega pode completar 9 anos no comando da economia do País
Em conversa com interlocutores, em Seul, Dilma disse estar convencida de que Mantega tem o controle das informações sobre a economia e de que ele está no rumo da política que deseja imprimir ao setor, com o Estado fazendo o papel de indutor do crescimento econômico
A manutenção de Mantega, no entanto, não garante a permanência de um de seus principais auxiliares, o titular da Receita Federal Desgastado com a quebra de sigilo fiscal de familiares do ex-governador José Serra e do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, Otacílio Cartaxo não deve ser mantido
Novo ministério
O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, negou ontem que a presidente eleita vá criar novos ministérios ou dividir os que já existem para acomodar aliados ''Essa não é a intenção da presidente eleita'', disse Dutra disse que a única nova pasta que Dilma pretende criar é o Ministério das Micros e Pequenas Empresas, uma das promessas da campanha da presidente eleita

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