Brasília - Renunciar ao mandato para evitar um processo na Câmara, candidatar-se de novo, voltar ao plenário pela força dos votos, começar nova vida: esse projeto político tornou-se, nos últimos tempos, uma solução comum para muitos parlamentares mas os tempos, para tais expedientes, não são tão simples como antigamente.
Uma dessas histórias é a de um deputado sem partido, pelo Ceará: Pinheiro Landim, que esta entre os 513 deputados que tomaram posse ontem na Câmara. Sua providência, no entanto, pode não ir muito longe: é quase certo que ele será alvo de novas investigações da Corregedoria da Câmara.
Landim não é o único. Ronivon Santiago (PPB-AC) é outro que responde a vários processos e chegou a ser preso no mês passado. Esteve na cerimônia de posse, normalmente, embora a Justiça do Acre considere que ele esteja ''em lugar incerto e não sabido''.
No início do mês, Landim renunciou ao antigo mandato para evitar a cassação, o que o tornaria inelegível por oito anos. Mesmo assim, dificilmente deverá terminar a atual legislatura, já que o corregedor da Câmara, Barbosa Neto (PMDB-GO), havia sugerido à mesa a cassação do parlamentar. Além disso, a Polícia Federal continua investigando a quadrilha de Dias Mendonça, e poderá encontrar novos indícios envolvendo o traficante e o deputado do Ceará.
Também assume o mandato sob suspeição o deputado José Tatico (PMDB-DF), apontado no relatório da CPI do Roubo de Cargas do Senado como receptador. A comissão, aliás, chegou a pedir o indiciamento de Tatico. Seu filho, Ênio Tatico (PL-GO), também foi citado pela CPI, com a mesma acusação. Tatiquinho, como é chamado, assumiu ontem a vaga do deputado Henrique Meirelles (PSDB-GO) que preferiu renunciar ao mandato e continuar no posto de presidente do Banco Central.
Acusado de ter sido o responsável pela divulgação de uma gravação envolvendo suspeita de propina na votação da emenda da reeleição quando ganhou a alcunha de Senhor X , o deputado Narciso Mendes (PPB-AC) assume a cadeira sub judice. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que Mendes não se desincompatibilizou da direção de sua emissora de televisão seis meses antes do prazo determinado pela Justiça Eleitoral.
Da bancada do Norte do País ainda assumem sob suspeição os deputados federais Jader Barbalho (PMDB-PA) e seu primo, José Priante (PMDB-PA). Ambos são acusados de envolvimento no desvio de verbas da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) os processos encaminhados pela Polícia Federal, ainda no ano passado, estão no Supremo Tribunal Federal (STF). Há ainda o senador Duciomar Costa (PSD-PA), acusado de utilização de diploma falso de medicina.
Quinto deputado mais votado em Minas Gerais, Cabo Júlio (PST) responde a processo no STF pela acusação de crime militar, por ter liderado, em junho de 1997, uma greve que resultou na morte do também cabo Valério dos Santos Oliveira. Também no STF está o processo contra o deputado reeleito José Carlos Martinez (PTB-PR), por suspeita de envolvimento em sonegação fiscal, evasão de divisas, falso testemunho e falsidade ideológica.
Reeleito por São Paulo, Vadão Gomes (PPB-SP) responde a inquérito no STF que apura desvio de verbas do Departamento Nacional de Cooperativismo e Associativismo (Denacoop), do Ministério da Agricultura. Do Tocantins, pelo menos três dos oito que assumem hoje estão implicados em denúncias por desvio de verbas: Darci Coelho (PFL), Osvaldo Reis (PMDB) e Pastor Amarildo (PPB).

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