Manobras em Furnas começam hoje
Agência Estado
De Belo Horizonte
Começam hoje, em Capitólio, no interior de Minas Gerais, as manobras militares determinadas pelo governador Itamar Franco (PMDB). O exercício, com a participação de 2,5 mil policiais, faz parte da estratégia do governador para lutar contra a privatização da Hidrelétrica Furnas, hoje controlada pelo governo federal. Em nome da soberania das águas de Minas, Itamar chegou a dizer que não hesitaria em pegar em armas.
A operação na região do Lago de Furnas, que será realizada de hoje até quinta-feira, está custando cerca de R$ 450 mil aos cofres do Estado. Os recursos foram gastos na aquisição de barracas, armamento, munição e coletes a prova de bala. Os comboios começaram a chegar sábado ao local do acampamento dos militares, na rodovia MG-050. Durante todo o dia, policiais trabalharam montando barracas e retirando dos caminhões-baú o armamento bélico.
As manobras serão realizadas em nove cidades da região, consideradas estratégicas para a segurança do Lago de Furnas. Cerca de 1,5 mil homens vão ficar acampados no terreno às margens da Rodovia MG-050 e farão treinamento tipicamente militar. Os demais ficarão espalhados nos nove municípios aplicando um questionário à população e participando de ações de saúde pública. O questionário, mantido em sigilo, será anexado ao relatório da Comissão Especial que estudou privatização do setor energético a pedido do governador.
A operação em Furnas foi motivo de conflito entre Itamar e os oficiais da corporação. Muitos deles acusaram o governador de estar usando a Polícia Militar de Minas para atingir interesses políticos. O comandante da Operação, coronel Ari de Abreu, tem evitado polemizar sobre o assunto. Segundo ele, treinamentos deste tipo fazem parte da rotina da corporação.
Itamar Franco só vai decidir hoje se vai ou não a Capitólio acompanhar de perto a realização das manobras determinadas por ele próprio. A explosão de uma casa nas proximidades do dique que retém as águas da represa de Furnas é uma das manobras previstas. Em um dos discursos contra a privatização da hidrelétrica, o governador ameaçou romper o dique na barragem para permitir a passagem das águas do Rio Grande para o Rio São Francisco se a venda da estatal for realizada.





