A limitação da investigação se deu principalmente pela ação de aliados e do próprio Cunha, que até o início do mês passado presidiu a Câmara com grande ascendência sobre seus pares.
As manobras acabaram levando o Supremo Tribunal Federal a decidir, por unanimidade, afastá-lo de suas funções sob o argumento de que sua permanência à frente de uma das casas do Legislativo era deletéria para as investigações da Lava Jato e do Conselho de Ética.
Entre as manobras que levaram o atual processo a ser o mais longo da história estão a destituição do relator inicial do caso e a anulação da primeira votação preliminar em decisões tomadas pelo presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), também apoiador de Cunha. Maranhão também foi o responsável por proibir o conselho de ampliar o rol de acusações contra o peemedebista.
Na sessão de ontem, a maioria dos discursos foi favorável à cassação do peemedebista. "Se o resultado que sair daqui não for a aprovação desse relatório, quero dizer que esse Conselho de Ética deve se extinguir, que esse conselho não terá legitimidade ou autoridade para cassar nenhum outro deputado. Nenhum caso teve tantas evidências, tantas provas. Esse conselho, se não aprovar a cassação, deixa de ter qualquer autoridade moral para punir quem quer que seja", disse o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE).
Entre os defensores de Cunha estavam os deputados Sérgio Moraes (PTB-RS), que há alguns anos se notabilizou ao dizer se lixar para a opinião pública ao defender outro colega que estava sob risco de cassação, e Carlos Marun (PMDB-MS). "Aqui não existem provas que nos levem à pena capital, à pena de morte a um deputado que com muita competência conduziu essa Casa", disse Marun. (Folhapress)

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